
Jackson Peixoto Rodrigues, conhecido como Nego Jackson, 37 anos, foi transferido nesta quarta-feira (10) de presídio federal em Porto Velho, capital de Rondônia, para o Rio Grande do Sul. Além de escolta reforçada, todo um aparato de segurança foi montado para a chegada dele no aeroporto Salgado Filho, o que ocorreu por volta de 16h30min. De lá, ele foi levado até a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).
O preso é apontado como líder de uma facção criminosa gaúcha. Segundo a polícia, ele também tem ligação com traficantes internacionais e facções do Sudeste, além de ser investigado por pelo menos 24 homicídios e de ter sido alvo de operação policial há três anos, quando teve R$ 11 milhões em bens apreendidos pela Justiça.
Há três anos, Jackson foi preso em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e depois foi encaminhado para presídio federal. Há dois anos e meio, a facção comandada por ele foi alvo de uma grande operação policial após um verdadeiro quebra-cabeça financeiro. Ele teve o sequestro judicial de R$ 11 milhões em bens que incluíam, por exemplo, dinheiro em diversas contas bancárias, mais 31 veículos e 32 imóveis, como apartamentos, estacionamentos e até supermercados. Os bens atribuídos a ele estavam em nome de laranjas.
Ainda em 2017, ele e mais 19 suspeitos — incluindo o segundo e terceiro escalão da organização criminosa — foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por associação para o tráfico, venda ilegal de armas de fogo, lavagem de capital e homicídios.
Esquartejamentos
Além de ser investigado por ter ligações com criminosos no Paraguai e com facções do Rio de Janeiro, Jackson é considerado um dos principais distribuidores de drogas do Estado e pivô de uma série de delitos que inauguraram uma época de crimes violentos, a maioria em Porto Alegre e no litoral norte. Os 24 homicídios entre 2015 e 2017 e que foram atribuídos a ele, segundo a Polícia Civil, tiveram requinte de crueldade.
A diretora do Departamento de Homicídios, delegada Vanessa Pitrez, ressalta que foi a chamada época das decapitações e esquartejamentos, quando vítimas eram assassinadas em plena luz do dia e tendo os corpos expostos, muitas vezes, em vias públicas. Por isso, ela diz que a polícia está em alerta.

— O retorno dele gera preocupação, principalmente para nós, em razão da sua periculosidade e pela liderança forte que tem no meio criminal. O retorno facilita a comunicação com familiares e membros da facção, todos acusados de lavagem de dinheiro, e ainda vai acirrar a disputa por domínios de pontos de tráfico, o que consequentemente culmina em homicídios — destaca Vanessa.
O Juiz-Corregedor do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado, Alexandre Pacheco, diz que o retorno de Jackson se deve ao fato de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que não cabe mandado de segurança para atribuir efeito suspensivo a agravo de execução interposto contra decisão da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre. Segundo ele, o Tribunal de Justiça havia concedido efeito suspensivo ao agravo, no mandado de segurança impetrado pelo Estado do Rio Grande do Sul, determinando a permanência do preso em presídio federal. Porém, em habeas corpus impetrado pela defesa, o STJ adotou entendimento diverso, com base na Súmula nº 604. Mesmo assim há um agravo de execução para ser julgado no TJ e que pode, no mérito, decidir pelo retorno do apenado a um presídio federal.
Apesar disso, Pacheco esclarece que os juízes das Varas de Execução de Porto Alegre entendem que, para haver a renovação do prazo de permanência, é necessário fato novo que a justifique, e não os mesmos motivos que ensejaram a transferência.
A transferência de preso a presídio federal pode se dar por até três anos, renovável por iguais períodos, para preservação da segurança pública, principalmente daqueles que, mesmo privados da liberdade, lideram organização criminosa.
O juiz afirma que o Estado deveria investir em uma estrutura de alta segurança.
— O Estado deveria investir na construção de um presídio que efetivamente fosse de alta segurança para isolamento de detentos com elevado grau de periculosidade, já que a PASC, concebida com esse propósito, nunca cumpriu sua finalidade, sendo comum que presos tenham acesso a aparelhos celulares. Admitir que o sistema prisional federal se apresenta como única solução significa reconhecer a incapacidade do Estado do Rio Grande do Sul em controlar as facções nos estabelecimento gaúchos. Por isso, ou o governo intervém com pulso firme na PASC, ou deveria investir na construção de um novo presídio que garanta o isolamento das lideranças por mais tempo do que já ocorre em unidades federais. Caso contrário, o Rio Grande do Sul fica dependente de transferências por prazos temporários — explica Pacheco.
O MP ainda não se manifestou sobre possível novo recurso.

![- / AFP A smoke plume rises from an ongoing fire near Dubai International Airport in Dubai on March 16, 2026. Flights were gradually resuming at Dubai airport on March 16, previously the world's busiest for international flights, the airport operator said, after a "drone-related incident" sparked a fuel tank fire nearby, as Iran kept up its Gulf attacks. (Photo by AFP) / The erroneous mention[s] appearing in the metadata of this photo has been modified in AFP systems in the following manner: [BYLINE: -]. Please immediately remove the erroneous mention[s] from all your online services and delete it (them) from your servers. If you have been authorized by AFP to distribute it (them) to third parties, please ensure that the same actions are carried out by them. Failure to promptly comply with these instructions will entail liability on your part for any continued or post notification usage. Therefore we thank you very much for all your attention and prompt action. We are sorry for the inconvenience this notification may cause and remain at your disposal for any further information you may require.<!-- NICAID(16245841) -->](https://www.rbsdirect.com.br/filestore/6/9/5/5/2/9/5_b7a7491f035b830/5925596_38935db842f8b54.jpg?format=webp&h=270&w=406)
