
Uma confortável casa de quatro quartos, instalada em uma área com piscina com tobogã, salão de festas, lago, açude, campo de futebol e pista de kart, na zona rural de Taquara, é apontada pela Polícia Civil como o esconderijo usado pela mulher e pela sogra de Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson. O imóvel, situado no bairro Santa Cruz da Concórdia, foi identificado pela polícia no desdobramento das investigações da Operação Quebra-Cabeça e já foi sequestrado por ordem da Justiça.
A mulher do criminoso, Pamela Monteiro Pereira, foi presa em 15 de novembro quando se preparava para embarcar para Rondônia, onde visitaria o marido na Penitenciária Federal de Porto Velho. A mãe dela, Eva Rosaura Monteiro Pereira, é considerada foragida desde o dia da operação e segue sendo procurada. A polícia acredita ter provas de que Pamela, uma filha e Eva moravam no local, já que pertences pessoais foram localizados na casa.
Também há suspeitas de que o sítio fosse o lugar usado pela quadrilha — que é uma célula do consórcio de facções conhecido como Anti-Bala — para embalar e guardar dinheiro vivo do tráfico de drogas. A investigação da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro do Gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos aponta que do imóvel seriam remetidos valores para o Paraguai — onde Nego Jackson viveu escondido até ser preso em janeiro — e para bancar outros negócios da organização. Durante a investigação que embasou a Operação Quebra-Cabeça, a polícia suspeitava da existência de um imóvel com essas características e finalidade, já que imagens haviam sido obtidas em telefones celulares apreendidos, mas não conseguia localizar.
No dia da operação, 16 de novembro, ao cumprir mandado de busca em um apartamento de Pamela em Taquara, os policiais encontraram, além de R$ 5 mil em dinheiro e celulares, uma nota fiscal de compras feitas em um mercado na região rural de Taquara. A partir do documento, começou a busca pelo imóvel. A polícia passou o rastrear a região, conversando com testemunhas em busca de pistas. Enquanto o trabalho de apuração era feito, a quadrilha agiu.
Conforme testemunhas, no dia seguinte à operação, quatro carros em comboio estiveram no imóvel e carregaram objetos e, possivelmente, dinheiro. A polícia acredita que foi neste dia que Eva e a criança foram retiradas do local. Os investigadores chegaram ao imóvel na semana passada. Ainda encontraram roupas no varal e alimentos, como frutas, na despensa. Depois de confirmar o uso do local por Pamela e Eva, os policiais solicitaram à Justiça ordem de sequestro, que foi aceita.

O local tem ampla área de lazer. No complexo, há três casas: a principal, com três quartos e usada como moradia, uma segunda anexa — com dois quartos, sala ampla com churrasqueira e mesa de sinuca —, e a residência do caseiro. Há também um salão de festas em construção junto à piscina, com churrasqueira e mesa para 12 pessoas. No terreno há ainda lago, açude, campo de futebol e pista de kart.
Conforme o delegado Filipe Bringhenti, o imóvel teria sido adquirido em 2016 por cerca de R$ 1,5 milhão. Contabilidade da quadrilha analisada na investigação indica que um outro imóvel entrou na negociação, sendo dado como parte do pagamento. O sítio está em nome de uma mulher que é procurada. Segundo o delegado, seria mais uma das pessoas que são usadas como "laranja" pela facção.
Além de Eva, outros cinco suspeitos de envolvimento com tráfico ou lavagem de dinheiro são procurados devido à operação: Raquel Lopes dos Santos (gerente financeira), Carlos Cesar Guimarães, o Guga (marido de Raquel e gerente de venda de drogas), Elíssima Nataly dos Santos Guimarães (filha de Raquel que fazia depósitos para lavagem de dinheiro), Jéferson Wilian dos Santos Guimarães (filho de Raquel que também fazia depósitos), e Alexandre Dussarat, o Sadol (dos serviços operacionais).

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Disque-Denúncia
A Polícia Civil disponibiliza o número 197 para denúncias por telefone e (51) 98418-7814 via WhatsApp. O sigilo da fonte é garantido.
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Operação Quebra-Cabeça
- O alvo foi o grupo de Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson. Considerado um dos principais distribuidores de drogas do Estado e pivô de uma guerra sanguinária sem precedentes, que inaugurou a época das decapitações e esquartejamentos, foi preso em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, em janeiro. Atualmente, está recolhido à Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, sob proteção de aliados da facção carioca Comando Vermelho.
- Valor total de bens sequestrados e bloqueados até o momento: R$ 11 milhões (sem contar a avaliação do sítio agora localizado).
- A operação dissecou um sistema de operações financeiras montado para disfarçar bens e valores envolvendo 54 investigados entre pessoas físicas e empresas, inclusive, de outros Estados, dos quais 29 foram alvo da operação por já existir, em relação a eles, provas de envolvimento em crimes.



