
A possibilidade de abstenção elevada no dia 15 de novembro preocupa as campanhas dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre melhor colocados nas pesquisas e motiva a adoção de estratégias para convencer os eleitores a comparecer às seções eleitorais. As ações incluem desde a mobilização de candidatos a vereador para atuar de forma descentralizada e mais direta até a elaboração de peças publicitárias destinadas a ressaltar a importância do voto e da participação democrática.
O presidente do PTB na Capital e coordenador da campanha de José Fortunati, Everton Braz, afirma que a sigla já vem trabalhando em uma estratégia para sensibilizar eleitores com foco em regiões mais periféricas do município.
— Percebemos que essas áreas tiveram abstenção muito alta já em 2016. Estamos trabalhando nesses locais com auxílio dos candidatos da eleição proporcional. É mais de uma centena de candidatos a vereador trabalhando de forma capilarizada — afirma Braz.
A campanha de Sebastião Melo (MDB) elaborou um vídeo e está produzindo áudios a serem enviados por WhatsApp, postados em redes e no YouTube com o slogan “use o seu voto”.
— A abstenção piora a cada eleição e, neste ano, com a pandemia, a tendência é piorar ainda mais. O desafio é fazer as pessoas entenderem a importância do voto e saírem de casa para exercer seu direito. Quanto mais pessoas votarem, mais legítimo é o resultado — observa o coordenador da campanha de Melo e candidato a vice na chapa, Ricardo Gomes.
A direção da campanha de Manuela D’Ávila aposta na utilização do horário eleitoral como ferramenta para estimular os eleitores a sair de casa sob o mote “para mudar, tem de votar”. O coordenador e membro da executiva nacional do PCdoB Márcio Cabreira acredita, porém, que a mobilização do eleitorado pode surpreender:
— As eleições americanas tiveram um alto comparecimento. Pode ocorrer uma surpresa aqui também, ou ficar parecido com o que se viu em 2016. As pessoas se preocupam com as suas vidas, e decidir quem será o prefeito em um momento de pandemia é importante
Já Christian Lemos, coordenador da campanha do PSDB, afirma que o foco do atual prefeito e candidato à reeleição Nelson Marchezan é proporcionar “condições sanitárias” adequadas no município para as pessoas se dirigirem às urnas.
— Os principais esforços serão sempre na direção de garantir condições sanitárias e cumprimento dos protocolos para dar segurança e tranquilidade para que as pessoas, em especial os idosos, possam exercer seu direito com a certeza de que estarão protegidos — sustenta Lemos.
Dados da mais recente pesquisa Ibope (29 de outubro) indicam que a faixa etária de 16 a 24 anos e as pessoas com renda familiar mais baixa (até dois salários mínimos) estão entre os menos dispostos a ir votar dia 15 de novembro (veja os detalhes nos gráficos abaixo). Responderam em maior grau que votarão “com certeza” quem tem renda acima de cinco salários mínimos (84%) e as pessoas que avaliam a atual gestão como ótima ou boa (87%).
O cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Paulo Peres afirma que a abstenção pode ser influenciada por fatores mais estruturais, que já vêm reduzindo a participação eleitoral nos últimos anos, e circunstâncias específicas. No primeiro turno do pleito de 2016, chegou a 22,5% (contra uma média estadual de 15% naquele ano).
— Nas últimas décadas, se estabeleceu um padrão recorrente de competição entre forças partidárias de esquerda e de centro em Porto Alegre. O eleitor de direita pode ter se sentido menos representado, e por isso menos inclinado a votar — cogita Peres.
Peres afirma que fatores conjunturais, como a pandemia e a identificação do eleitorado com os candidatos na disputa em curso, também podem ter influência e determinar os rumos da eleição da próxima semana.



