
O balanço do terremoto em Mianmar aumentou para 2.056 mortos, informou nesta segunda-feira (31) a junta militar que governa o país, que também anunciou que mais de 3,9 mil pessoas ficaram feridas.
Um porta-voz da junta afirmou que 270 pessoas estão desaparecidas, três dias após o potente terremoto de magnitude 7,7 que atingiu este país e a vizinha Tailândia, onde 18 pessoas morreram.
Apesar da chegada gradual da ajuda internacional, o número de mortos pode continuar aumentando, em um país onde grande parte da população vive próxima à Falha de Sagaing, onde as placas indiana e eurasiática se encontram.
"Grave escassez" de suprimentos
As agências internacionais alertaram que Mianmar não tem recursos para lidar com um desastre dessa magnitude.
Antes do terremoto, as Nações Unidas já estimavam que cerca de um terço da população estaria em risco de fome em 2025.
Uma "grave escassez" de suprimentos médicos dificulta a ajuda, alertou a ONU, ao afirmar que os socorristas não têm equipamentos de trauma, bolsas de sangue, anestésicos e medicamentos essenciais.
As operações de resgate também são prejudicadas pelos danos a hospitais e infraestrutura de saúde, assim como estradas e redes de comunicação.
Uma mulher grávida, que teve uma perna amputada para poder ser retirada dos escombros de um edifício, não sobreviveu aos ferimentos, apesar do trabalho dos médicos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou com urgência quase três toneladas de suprimentos médicos para hospitais em Mandalay e Naypyidaw, a capital, onde milhares de feridos estão sendo tratados.
No domingo, a OMS lançou chamado para arrecadar rapidamente o equivalente a R$ 46 milhões para salvar vidas e prevenir epidemias nos próximos dias.
"As avaliações preliminares indicam número elevado de vítimas e feridos relacionados a traumatismos, que precisam de atendimento de urgência", declarou a OMS. A organização "classificou essa crise em urgência nível 3", o mais elevado de seu programa de intervenção.
A China enviou 82 socorristas e prometeu US$ 13,8 milhões (R$ 79,5 milhões) em ajuda. A Cruz Vermelha lançou um apelo para arrecadar US$ 100 milhões (R$ 576 milhões).