
O inquérito sobre a morte de Francine Rocha Ribeiro, 24 anos, em Santa Cruz do Sul, deve ser encaminhado à Justiça até sexta-feira (31), uma semana após a polícia divulgar o nome do suspeito de ter cometido o crime. O corpo da jovem foi localizado um dia depois de ela desaparecer na área do Lago Dourado, ponto turístico onde ela costumava se exercitar. Jair Menezes Rosa, 58 anos, foi preso pela Polícia Civil na semana passada.
A delegada Lisandra de Castro de Carvalho, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Cruz do Sul, confirmou que pretende finalizar o documento nos próximos três dias e remetê-lo ao Judiciário. A policial pretende detalhar as conclusões do inquérito somente na sexta-feira, mas Jair deve ser indiciado pelos crimes de feminicídio e estupro.
Na quinta-feira (23), a polícia prendeu o suspeito no bairro Várzea, onde ele residia. A casa do aposentado fica nas proximidades do acesso ao matagal que permite chegar, por meio de uma trilha, até o local onde Francine foi encontrada morta. A prisão ocorreu após um laudo da perícia apontar que o material genético encontrado no corpo da jovem era compatível com o de Jair. O sangue dele havia sido coletado alguns dias após o crime, depois de ele ser reconhecido por dois caçadores como o homem que estava no mato onde a jovem foi morta no dia do crime.

Ainda conforme a delegada Lisandra, a polícia encaminhará nesta terça-feira (28) para nova perícia os tecidos encontrados na casa do suspeito. Durante buscas realizadas na moradia, a Polícia Civil encontrou uma camiseta rasgada que tem tecido semelhante ao usado para amarrar a mão de Francine. É aguardada, também, uma análise das roupas da jovem para saber se será localizado algum material genético. Jair, que está sendo mantido em um presídio do Vale do Rio Pardo, nega que tenha cometido o crime. Na sexta-feira, a polícia tentou ouvi-lo novamente, mas ele preferiu permanecer em silêncio.
Caçadores auxiliaram a identificar suspeito
Aproximava-se das 17h do domingo (12), quando dois amigos decidiram caçar e pescar próximo ao Lago Dourado. Com três ratoeiras, linhas de pesca e panela de ferro, embrenharam-se no mato. Usaram trilhas para chegar até a área onde costumavam acampar. Enquanto vistoriavam as armadilhas para ratões, avistaram um homem de óculos, com camisa, calça e gorro camuflados, que observava a pista no entorno do lago. Chegaram a chamar. "Ô meu". Ele não respondeu. Quando virou, assustou-se e correu pela trilha que liga o parque às moradias no bairro Várzea. Para a Polícia Civil, o homem que tentava escapar era Jair.
Ouvidos na sexta-feira (17) pela Polícia Civil, cinco dias após o crime, os dois caçadores confirmaram ter visto o suspeito. No bairro Várzea, no mesmo dia, a polícia seguia em busca de informações e chegou ao nome de Jair. Procurado em casa, ele negou ter estado no mato naquele domingo. Outros moradores do bairro garantiam ter visto o vizinho caminhando até a trilha que leva ao lago, com roupas camufladas. Quando os caçadores avistaram Jair na delegacia, afirmaram: era o homem visto no matagal.
— Era uma espécie de ermitão, calado, sem contato com os vizinhos. Vivia caminhando naqueles matos. Aquela primeira mentira dele nos indicou que podia estar mentindo mais. E estava. Ele brigou com a família, foi para o quarto, vestiu a roupa camuflada e se embrenhou no mato _ afirmou o delegado regional Luciano Menezes, durante coletiva à imprensa na sexta-feira (24).

1. O perfil genético obtido do bulbo do pelo colhido da coxa de Francine é compatível com o de Jair Menezes Rosa, 58 anos.
2. O material biológico colhido da região vaginal, do umbigo e dos seios de Francine apresentou perfil genético caracterizado pela mistura de DNA compatível com a junção dos perfis da vítima e de Jair.
3. Os perfis genéticos de outros três homens, dos quais foram coletados sangue, não foram compatíveis com nenhuma das amostras analisadas. Um deles é um foragido, capturado cinco dias após a morte da jovem, que precisou ser transferido de presídio por conta da repercussão do caso. Os dois caçadores, que foram ouvidos como testemunhas, também tiveram material coletado, já que estavam no mesmo matagal, mas o resultado também foi negativo.
O crime
Na tarde de domingo (12), Francine foi deixada pelo noivo no estacionamento que dá acesso ao Lago Dourado por volta das 14h50min, após almoçar com a família na casa do pai, na localidade de Rincão da Serra, no interior de Vera Cruz. Francine faria exercícios no local e, depois, deveria regressar sozinha para a casa da mãe, mas não chegou até lá. No dia 13, ela foi encontrada morta, a 400 metros da pista no entorno do reservatório, em meio a um matagal. A necropsia apontou que ela foi estrangulada e espancada, além de ter sido vítima de violência sexual.



