
No dia 17 de agosto, enquanto negava qualquer envolvimento na morte da jovem Francine Ribeiro — encontrada morta no dia 12 de agosto — Jair Menezes Rosa, preso nesta sexta-feira (24) e apontado como autor do crime, permitiu que a polícia fizesse coleta de sangue. O objetivo da Polícia era comparar o material genético do sangue com o que poderia ser encontrado no corpo de Francine Ribeiro.
Três dias depois, na segunda-feira (20), a polícia cumpriu mandado de busca na casa dele. Uma mochila, idêntica à descrita pelas testemunhas no depoimento, foi recolhida, assim como uma camiseta rasgada. A delegada Lisandra de Castro de Carvalho, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Cruz do Sul, que coordenou as investigações, suspeita que o tecido tenha sido usado para amarrar a mão de Francine. O material foi recolhido e passará por perícia.
Na quarta-feira (22), a perícia informou aos policiais que tinha conseguido isolar material genético diferente do de Francine nas amostras coletadas no corpo dela. No fim da manhã seguinte, um telefonema confirmou a suspeita: o DNA de Jair era compatível com o encontrado no corpo da jovem.
No fim da tarde de quinta-feira (23), viaturas discretas estacionaram nas proximidades da casa do suspeito. Havia receio de que ele tentasse escapar pelos matos. Quando os policiais chegaram no portão de ferro branco, ele apareceu na porta e espiou. Sem tentar reagir, deixou a casa preso.
— O crime tem um caminho lógico. Sempre acreditamos nessa fatalidade aleatória. O primeiro passo foi excluir as pessoas com alguma vinculação. Fizemos o dever de casa. Descobrimos que foi um sujeito que estava no mato e escolheu uma vítima — disse Lisandra.
Para a polícia, Jair Menezes Rosa, 58 anos, teria matado a jovem para que não fosse reconhecido após o estupro. A suspeita é de que tenha acompanhado a jovem, entre os matos, e rendido a vítima com faca ou até mesmo com a força física. Depois, teria arrastado Francine até o mato, onde foi espancada e estrangulada.
As perícias técnicas

1 - A necropsia apontou ainda que Francine foi morta por asfixia mecânica e espancamento. A jovem sofreu hemorragia interna no abdômen. O laudo também comprovou que houve violência sexual.
2 - O perfil genético obtido do bulbo do pêlo colhido da coxa de Francine é compatível com o perfil de Jair Menezes Rosa, 58 anos.
3 - O material biológico colhido da região vaginal, do umbigo e dos seios de Francine apresentou perfil genético caracterizado pela mistura de DNA compatível com a junção dos perfis da vítima e de Jair.
4 - Os perfis genéticos de outros três homens, dos quais foram coletados sangue, não foram compatíveis com nenhuma das amostras analisadas. Um deles é um foragido, capturado cinco dias após a morte da jovem, que precisou ser transferido de presídio por conta da repercussão do caso. Os dois caçadores, que foram ouvidos como testemunhas, também tiveram material coletado, já que estavam no mesmo matagal, mas o resultado também foi negativo.
5 - A perícia ainda tentará coletar material genético das roupas de Francine, que, se for obtido, será comparado com o de Jair, e com outros possíveis suspeitos que sejam identificados.




