
Desde a manhã da segunda-feira (13), quando o corpo de Francine Rocha Ribeiro, 24 anos, foi encontrado em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, um dia após ela desaparecer, a polícia tenta montar um quebra-cabeças para chegar a quem cometeu o crime. A jovem havia saído de casa, em Vera Cruz, para caminhar no Lago Dourado, ponto turístico usado para prática de exercícios na cidade vizinha. A 400 metros da pista no entorno do reservatório, em meio a um matagal, a vítima foi encontrada sem vida. Havia sido espancada e estrangulada. O crime completa 10 dias nesta quarta-feira (22).
Responsável pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) em Santa Cruz do Sul, Lisandra de Castro de Carvalho tem mantido as investigações sob sigilo. Na tarde de terça-feira (21), policiais estiveram mais uma vez na área do lago. Buscas têm sido feitas nos últimos dias à procura de pessoas estranhas que estivessem circulando no entorno.
— Estamos realizando uma série de diligências, checando denúncias anônimas, ouvindo pessoas, trabalhando em campo e analisando informações. Por ora, não podemos nos manifestar sobre o rumo da investigação — afirma.
Entre as pessoas ouvidas pela investigação estão familiares da jovem, como o noivo Lucas Seelig de Lima, 25 anos, que levou Francine de carro até o parque para que ela caminhasse. Outros parentes e amigos da jovem também prestaram depoimento à polícia nesses dias, assim como pessoas que estavam no ponto turístico naquela tarde. Os policiais também vêm contando com informações anônimas. As ligações para a investigação podem ser feitas pelo (51) 3719-9900 ou diretamente à Deam pelo (51) 3713-4340.

GaúchaZH elencou 10 aspectos confirmados até agora sobre a morte de Francine e cinco que a polícia ainda tenta desvendar. Confira:
O que se sabe:
1 - Quem deixou Francine no lago?
O noivo, Lucas Seelig de Lima, 25 anos, com quem ela mantinha relacionamento de seis anos. Ele relatou que parou o carro no acesso ao parque e ela ingressou sozinha. Lucas contou que depois dali foi fazer depósito bancário e em seguida retornou para sua casa, em Linha Ferraz, interior de Vera Cruz.
2 - Francine estava sozinha?
Familiares, como a mãe e o noivo, confirmaram que a jovem tinha o hábito de caminhar sozinha. Francine havia emagrecido nos últimos meses e tentava manter a forma. Diariamente fazia caminhadas. Uma câmera no acesso ao parque registrou o momento em que ela se alonga no deck e sai caminhando sozinha pelo lado direito da pista.
3 - Havia mais pessoas no Lago Dourado?
Sim, havia outros frequentadores que caminhavam, corriam ou andavam de bicicleta. Nas imagens divulgadas pela Polícia Civil é possível contar cerca de 20 pessoas além da jovem.
4 - Onde ela foi assassinada?
Para a polícia, o crime teria ocorrido no local onde ela foi achada morta. A jovem estava caída em meio à mata, em área de difícil acesso, próximo às margens do Rio Pardinho. O ponto fica a cerca de 400 metros da pista onde ela se exercitava. A perícia considerou que não havia indícios de o corpo ter sido arrastado até o local.
5 - Em que horário o crime ocorreu?
A necropsia apontou que o horário da morte é compatível com o do desaparecimento da jovem. A polícia acredita que ela tenha sido morta entre 15h e 17h daquele domingo.
6 - Como a jovem foi morta?
Francine morreu por asfixia mecânica. No pescoço, havia hematoma que indicava a esganadura. Para a polícia, a pessoa não utilizou apenas as mãos. A suspeita é que tenha usado uma espécie de cinto para estrangulá-la. A jovem também sofreu hemorragia interna no abdômen, o que indica que foi espancada. Esse fator também contribuiu para a morte.
7 - Algo foi levado após o crime?
Sim. Francine tinha um smartphone, que desapareceu, assim como um par de óculos escuros e um casaco. A mãe da jovem notou falta de um relógio dourado que ela costumava usar. O objeto também pode ter sido levado.
8 - Existem outros acessos além do pórtico?
Sim, pelo menos seis vias próximas levam a matagais que permitem acessar o parque. Como não há cercamento da área, é possível chegar até as margens do lago por trilhar no meio do mato. Trechos desses caminhos são alagadiços. Outros exigem conhecimento do local para serem localizados.
9 - Existem pontos cegos para quem vigia?
Sim. O parque tem apenas um vigia que fica em uma guarita junto ao pórtico. Na área da pista, quem faz a segurança é a Guarda Municipal, com rondas em horários alternados. Após o crime, durante o período em que o local está aberto à visitação, os guardas da prefeitura permanecem dentro da área, junto à outra guarita (desativada), do lado oposto.
10 - E para o videomonitoramento?
Sim. Há apenas uma câmera no acesso ao parque pelo pórtico. Ela tem capacidade de registrar imagens em 360 graus, com zoom que permite visualizar o outro lado do lago. No entanto, devido ao formato do reservatório, existem pontos cegos. É justamente neste trecho que a polícia suspeita que a jovem tenha sido abordada.
O que falta desvendar
1 - Quem matou Francine?
A polícia tenta chegar à autoria.
2 - Qual a motivação do assassinato?
Feminicídio, crime sexual e latrocínio (roubo com morte) são investigados.
3 - Como a jovem chegou até o local do crime, que fica em área de difícil acesso?
O trajeto em meio ao mato pode ter sido feito com a vítima rendida com faca ou arma de fogo.
4 - Por que os frequentadores não ouviram nada?
Entre as testemunhas que depuseram até agora, ninguém percebeu nada suspeito no horário em que teria ocorrido o crime. Uma das hipóteses é que Francine tenha sido atacada com algum golpe no pescoço e ameaçada. Por isso, não conseguiu gritar.
5 - Francine saiu do parque?
As imagens registradas pelas câmeras não mostram a saída da jovem. Mas isso não impossibilita que ela tenha utilizado outro percurso. O local onde ela foi morta também pode ser acessado por outros caminhos.




