
O texto a seguir é uma colaboração do jornalista Mario de Albuquerque, autor do livro Berta – Os Anos Dourados da Varig.
“Vencido pelo tempo e pela modernidade, o antigo terminal do Salgado Filho se despede do público mantendo a dignidade de um passado glorioso. Por ele, milhares de usuários viveram as emoções de momentos históricos da nossa aviação. Com a construção do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em 1954, ocupando local mais amplo junto à pista, o terminal de passageiros recebeu expansão, com aumento de infraestrutura.

A qualidade da pista teve significativa ampliação. Seguidamente, o presidente da Varig à época, Ruben Berta, e o então prefeito da Capital, Leonel Brizola, eram vistos sobre um trator, examinando de cima cada detalhe dos trabalhos da grande obra de concreto na pista, que teve suas dimensões ampliadas. Foi uma determinação do presidente da República, Getúlio Vargas, logo após conceder, em 1953, o direito de a Varig assumir linhas internacionais.
Com a majestosa presença do Super Constellation para realizar o voo para Nova York, em 1955, nosso aeroporto passou a ser, junto com a Varig, um cartão de visitas, recebendo empresas estrangeiras congêneres e ampliando o transporte de cargas, impulsionando, assim, a economia do Rio Grande do Sul. Em seguida, ganhou ainda mais destaque com a chegada do primeiro Caravelle, em 1959, fazendo do aeroporto um ponto de atração turística e colocando a Varig no pioneirismo da era do jato.
Em 1960, o Salgado Filho recebeu também com festa o Boeing 707, mostrando-se preparado para novas conquistas e se posicionando no rol de importantes modais.

O terminal 2 (aeroporto antigo), de relevantes serviços prestados a nossa aviação comercial, cumpriu seu dever, deixando lembranças de grandes realizações. No entanto, ainda executa serviços internos de valor, incluindo os prestados pela torre de controle dos voos. Como acervo artístico, manterá para visitação a obra do pintor Aldo Locatelli, retratada no mural A Conquista do Espaço. A concessionária Fraport vai responder pela conservação e proteção visual do mural, pintado em 1953, e considerado uma relíquia histórica”.