
A "briga de bugio" entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), que passaram se atacando no debate da noite deste domingo (28), fez o telespectador prestar atenção em dois candidatos que, não tendo nada a perder, saíram ganhando. Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) criticaram os dois adversários que lideram as pesquisas e conseguiram falar de futuro, enquanto Lula e Bolsonaro trocavam insultos.
Bolsonaro começou atacando Lula já na primeira pergunta, quando avisou que o assunto seria corrupção. Despejou números sobre a Petrobras, citou dados da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci e chamou o adversário de corrupto. Lula optou por falar dos órgãos que criou para investigar denúncias de corrupção, como fizera no Jornal Nacional, e não rebateu. Chamou Bolsonaro de mentiroso e assim foi ao longo de todo o debate.
Ciro contou com Felipe D’Avila (Novo) em uma espécie de dobradinha. Depois de ter respondido a pergunta de um jornalista sobre educação, que chamou de "presente de Deus", foi questionado sobre o mesmo tema por D’Avila e pôde discorrer sobre o bem-sucedido projeto do Ceará e falar de suas ideias para recuperar o tempo perdido com a pandemia.
Simone foi dura com Lula e com o Bolsonaro e se revelou uma debatedora preparada, reprisando o bom desempenho que tivera no Jornal Nacional. Não perdeu oportunidade para lembrar dos casos de corrupção do governo petista e comparou o mensalão e o petrolão aos escândalos do Ministério da Educação e do orçamento secreto de Bolsonaro.
Inexperiente em debates nacionais, Soraya Thronicke (União Brasil) será lembrada pela defesa repetida do imposto único e por ter dito que Bolsonaro é "tchutchuca com os homens e tigrão com as mulheres". Era uma referência aos ataques do presidente à jornalista Vera Magalhães, porque não gostou da pergunta que ela fez a Ciro Gomes, sobre vacinas, e citou seu nome por ser um "antivacina", e Simone Tabet, atacada de forma gratuita por sua participação da CPI da Covid.
A misoginia de Bolsonaro foi apontada pelos demais candidatos e revelou-se a principal saia-justa enfrentada pelo candidato, que se defendia falando dos programas que seu governo criou para as mulheres. Ciro disse que esses programas não eram percebidos porque ele tratava as mulheres sem delicadeza e chegou a chamar de "fraquejada" o fato de ter tido uma filha depois de quatro filhos homens.
Bolsonaro desencavou um episódio de 20 anos atrás, quando Ciro disse que o papel de sua esposa à época, a atriz Patrícia Pillar, era "dormir com ele". Ciro que, vinha sereno até então, exaltou-se, pediu desculpas e a partir daquele momento endureceu o discurso contra o presidente.
D’Avila usou e abusou do tom professoral, na defesa do liberalismo e das críticas ao uso de recursos públicos na campanha. Embora com amplo domínio sobre os temas que abordou, faltou-lhe carisma e percepção de que debate é diferente de conferência. Ao final, chamou Maria da Penha (a da lei que pune com rigor os homens que praticam crimes contra as mulheres) de Maria da Paz, nome da personagem de uma novela da Globo e virou alvo de brincadeiras nas redes sociais.
