No primeiro teste de sua capacidade para liderar um país em emergência, o presidente Jair Bolsonaro fracassou. Embriagado pelos aplausos dos seguidores que mantiveram o protesto de 15 de março, contrariando a orientação do Ministério da Saúde, o presidente acha que está abafando, mas antigos aliados falam abertamente de sua inépcia para governar.
No momento em que deveria agir como estadista, o presidente agiu como o deputado Jair Bolsonaro, que por 28 anos foi um peso morto na Câmara. Na crise, revelou-se ao mundo como um homem limitado, sem visão estratégica e sem noção da gravidade da crise, perdido na superficialidade das redes.
A tragédia só não é completa porque os ministros da Saúde, Luis Henrique Madetta, e da Economia, Paulo Guedes, seguram o leme que Bolsonaro abandonou para brincar de populismo. Guedes anunciou no final da tarde um pacote de medidas com foco na saúde e na manutenção dos empregos.
Deu para a deputada Janaína Paschoal (PSL), autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff e aliada de Bolsonaro, sugerir que seja afastado do cargo. Janaína, que quase foi vice-presidente, disse ter se arrependido do voto em 2018:
– Esse senhor tem que sair da Presidência. Deixa o Mourão que entende de defesa. Nosso país está entrando em uma guerra contra um inimigo invisível. Deixa o Mourão, que é treinado para defesa, conduzir a nação.
Coautor do pedido de impeachment de Dilma, o jurista Miguel Reale Júnior foi mais longe: sugeriu que Bolsonaro seja submetido a um exame de sanidade mental.
– Assumir o risco de expor pessoas a contágio é crime – disse Reale.
Recado das instituições
A versão oficial de que a reunião dos chefes do Legislativo e do Judiciário com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi apenas “para alinhar ações de combate ao coronavírus” só convence quem não conhece os bastidores de Brasília.
A reunião é um recado ao presidente Jair Bolsonaro de que Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal, alvos das manifestações de domingo, estão em sintonia.
O senador David Alcolumbre, o deputado Rodrigo Maia e o ministro Dias Toffoli não compactuam com a avaliação de Bolsonaro de que há exagero da mídia em relação ao vírus.






