A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.

O pedido pela securitização das dívidas dos produtores gaúchos voltou a ecoar em uma feira do setor. Dessa vez, deu a tônica da abertura da 23ª Expoagro Afubra, nesta terça-feira (25), em Rio Pardo, no Vale do Rio Pardo, reforçando o que havia sido colocado na Expodireto Cotrijal. A cerimônia, a exemplo do que aconteceu em Não-Me-Toque, contou com grande representação política.
O vice-governador do Estado, Gabriel de Souza, explicou que após reunião do Executivo com entidades do agro, na segunda (24), ficou definida a necessidade de duas frentes. Uma é a da prorrogação das parcelas que vencem em maio, a outra, a da securitização das dívidas por período em torno de 20 anos. As duas pautas foram verbalizadas no microfone — e aplaudidas por produtores presentes na cerimônia.
Também em sua fala durante a abertura, Souza reconheceu a ajuda do governo federal, representado na cerimônia pelos superintendentes da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário no Rio Grande do Sul, José Ricardo Cunha e Milton Bernardes, durante a enchente. No entanto, afirmou que, agora, é preciso de "mais, de ajudas definitivas".
— Precisamos de um tratamento especial porque temos uma especialidade no nosso território, que não é culpa de ninguém — argumentou, em referência à sequência de estiagens e enchente.
Marcilio Drescher, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), organizadora da feira, fez coro:
— O setor não quer esmola, mas, sim, o direito de produzir com mais segurança e estabilidade.
Preocupação também com o futuro
Tanto Souza quanto o deputado estadual Edivilson Brum, que representou a Assembleia Legislativa, lembraram que, além de resolver o presente, é necessário se precaver para o futuro, com ações estruturantes. O programa de irrigação do Estado, que oferece subsídio de 20% para projetos, com teto de R$ 100 mil por produtor foi citado. As inscrições para interessados estão abertas até abril.
— Viveremos, sim, nos próximos anos, mais eventos dramáticos como esses que já vivemos (de estiagens e enchente) — alertou Souza.