
A manhã desta terça-feira (28) é de limpeza e de contabilização dos prejuízos na zona norte de Porto Alegre, após os alagamentos da madrugada. A água atingiu ao menos 31 ruas da cidade, segundo levantamento da EPTC. Foram dois bloqueios totais, 12 restrições parciais e 17 vias com acúmulo de água, mas sem interrupção do trânsito.
Na Avenida Sarandi, o arroio de mesmo nome transbordou ainda na noite de segunda (27), segundo Soraia El Hajjar Meneghel, 48 anos, que vive às margens do talude.
— Antes da meia-noite a água já estava entrando no pátio. Só não entrou na minha casa porque, há anos, colocamos um tampão de ferro na porta da frente — explica, mostrando a estrutura que inutilizou a entrada frontal da residência.
Com uma fita métrica em mãos, Breno Santos Ribeiro mostra a marca na parede de sua oficina, indicando a altura da água na noite anterior: 80 centímetros.
Vizinho de parede com uma estética automotiva, os empresários contabilizam os prejuízos.
— Entre máquinas e o que eu deixei de atender, pelo menos R$ 15 mil — estima Alvino Souza, 72 anos. E complementa o prejuízo ao relacionar os impostos cobrados. — Imposto tudo em dia. E não se pode nem abrir direito. Mais de R$ 1 mil de IPTU. Com alagamento eles não deviam nem cobrar.
O filho dele, Rudinei Cardoso, direciona as críticas ao poder público.
— Quando é eleição eles vêm bater na porta da gente pedindo voto. Por que o prefeito não levanta da cadeira e vem aqui botar o pé no barro?
Um grupo de 14 funcionários do DMLU trabalharam nesta manhã para retirada dos entulhos, na esquina da Avenida Sarandi com a Zeferino Dias. Por volta das 10h30min, voltou a chover no local, deixando os moradores apreensivos.
Escolinha deve reabrir à tarde
Atendendo 96 alunos, o Centro de Educação Infantil Comunitário Santa Catarina não abriu as portas nesta terça. A frente da instituição estava intransitável, com água invadindo também casas vizinhas.
Os funcionários trabalharam no local, nesta manhã. Segundo a diretora Luana Rodrigues dos Santos, uma sala foi reservada para manter as crianças, enquanto os demais trabalhadores se dividirão entre preparar as refeições e terminar a faxina. A previsão é reabrir as portas à comunidade a partir das 13h30min.
— Serviremos uma refeição reforçada, com arroz, feijão, frango, cenoura e chuchu, pois muitas crianças só têm uma refeição completa aqui na escola — alerta a diretora.



