
Quase cem crianças ficaram sem atendimento em uma creche da zona norte de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (28), após os alagamentos que atingiram a região. De acordo com a direção do Centro de Educação Infantil Comunitário Santa Catarina, no bairro Sarandi, 96 alunos serão afetados na escolinha, que atende principalmente famílias de baixa renda.
— Oitenta por cento das crianças atendidas estão em situação vulnerável e precisam da creche para as refeições — explica a diretora Luana Rodrigues dos Santos, que trabalha há 15 anos no local.
Construída onde havia um prédio abandonado, em 1993, a escola fica na Rua Josué de Castro, na Vila Nova Brasília. No pátio onde as crianças deveriam brincar, a água seguia acumulada na manhã desta terça.
O trabalho durante o dia será de limpeza, na expectativa de reabrir a instituição à tarde. Cinco refeições são servidas nos três turnos aos alunos.
— Vamos servir uma refeição reforçada, porque muito dos alunos só comem bem aqui — diz Luana.
Mais de 40 famílias procuraram a diretora porque precisam de um local para deixar seus filhos. Algumas mães perderam o trabalho para ficar com as crianças, como a auxiliar administrativa Jennifer Vargas da Silva, 31 anos.
— Aí a gente tem desconto do salário e ainda posso perder o emprego. Aqui sempre é a mesma coisa. Chove e alaga — diz a mulher, mãe de dois meninos, de três e seis anos.

Problema recorrente
Vizinha à creche, Marta Rosane Reis, 47 anos, afirma que não tem dormido desde o início do outono preocupada com alagamentos.
— Aqui ninguém dorme quando começa a cair um pingo de água. Já fiquei um mês, uma vez, com os móveis levantados — conta.
Cibele Oliveira de Fraga, 29 anos, iniciou a limpeza às 3h, quando a água deixou a casa e escoou para o pátio.
— Tive que sair correndo com minha filha no colo e levá-la para casa da minha mãe.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Coordenação de Águas Pluviais informou que um dos equipamentos da Casa de Bombas 10, que atende parte do Sarandi, apresentou problema durante a madrugada e que uma equipe do Dmae esteve no local. O equipamento voltou a funcionar por volta das 4h.
"A região sofre historicamente com alagamentos devido à insuficiência de redes que deixaram de ser feitas nas últimas décadas. Para tentar minimizar os impactos das chuvas, o Arroio Sarandi consta na programação como o próximo local a receber a dragagem", diz trecho da nota.



