
O cancelamento dos voos que ligavam o aeroporto de Santo Ângelo a Campinas, em São Paulo, pela Azul, trouxe nova readequação na malha aérea gaúcha, alterando a dinâmica de rotas que conectam o interior do Rio Grande do Sul às demais regiões do país. Conforme as companhias, os ajustes ocorrem em adequação à capacidade da demanda. As empresas têm autonomia para determinar a oferta, portanto a disponibilidade de trechos costuma ser volátil.
Atualmente, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), três companhias operam voos no Estado: Latam, Gol e Azul. As frequências, de três a quatro voos semanais, variam conforme a empresa.
São 19 linhas regionais em operação no Rio Grande do Sul, conforme painel de monitoramento da Anac.
Para compensar o cancelamento do voo que partia do aeroporto Sepé Tiaraju (Santo Ângelo) para Viracopos (Campinas - SP), por exemplo, a rota que liga as Missões a Porto Alegre foi ampliada, passando de três para quatro voos semanais.
Outros voos, como os operados pela Gol, ainda ligam Santo Ângelo ao sudeste do país. Também há opções de voos partindo do aeroporto de Caxias do Sul, na Serra; de Santa Maria, na Região Central; e de Pelotas, no sul do Estado, ligando o Interior à Capital e ao Estado de São Paulo, que concentra o maior hub aéreo do país.
Impacto econômico
A importância de manter as rotas operando é de cunho econômico. Mais do que facilitar o transporte de passageiros e fomentar o turismo, as linhas regionais encurtam distâncias para negócios, atraindo investimentos ao Estado.
Secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, Ernani Polo diz que a pauta é tratada como política de Estado. A experiência da enchente, que fechou o aeroporto de Porto Alegre por mais de cinco meses, mostrou na prática a inviabilidade de se depender de um único terminal aeroportuário.
O Rio Grande do Sul chegou a ser o Estado mais conectado por rotas regionais em 2021, segundo divulgação do Palácio Piratini à época. Hoje, ainda figura entre os Estados brasileiros com mais linhas a partir do Interior, diz Polo. Mas vem trabalhando para acelerar os embarques e as partidas.
Segundo o secretário, há solicitações recentes por parte das empresas aéreas para que o Estado forneça condições competitivas de incentivo em relação aos combustíveis de aviação. O tema está sendo avaliado pela Secretaria da Fazenda.
— Estamos com a expectativa de que isso possa avançar. Há um interesse tanto do turismo quanto do desenvolvimento como um todo. Tudo aquilo que o Estado pode fazer, está fazendo, colocando recursos para melhorar a infraestrutura dos aeroportos regionais — diz Polo.
Os investimentos
Conforme informações do Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional, sob comando da Secretaria de Logística e Transportes do RS, foram investidos R$ 36 milhões na aviação regional gaúcha em 2024. Os aportes foram direcionados a melhorias na infraestrutura dos terminais.
- Aeroporto Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo: investimentos foram direcionados a novo terminal e posto de abastecimento. Cerca de R$ 5 milhões são destinados anualmente à Infraero para garantir a operação do terminal.
- Aeroporto Municipal Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul: recebeu R$ 14 milhões para melhorias que incluem ampliação do terminal de passageiros, renovação da pista de pouso e aquisição de equipamentos.
- Aeroporto Regional de Torres: foram investidos R$ 2 milhões do Estado para reforma do terminal de passageiros, instalação de cerca operacional e aquisição de equipamentos de proteção ao voo. Em setembro de 2024, terminal foi transferido para gestão da Infraero.
- Aeroporto Comandante Kraemer, em Erechim: com aportes de R$ 1,8 milhão do governo e da prefeitura, foram realizados o cercamento da área, a instalação de um Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão (Papi), a repintura da pista de pouso e decolagem e a manutenção do sistema de balizamento.
- Aeroporto de Canela: recebeu investimento de R$ 1,5 milhão em melhorias de infraestrutura, drenagem e cercamento operacional. Em outubro de 2024, foi entregue à Infraero.
- Aeroporto de Rio Grande: foram investidos R$ 2,5 milhões em obras de recuperação do pavimento da pista de pouso e decolagem e na drenagem da área de movimento.
- Aeroporto de Capão da Canoa: recebeu R$ 1,5 milhão em obras de cercamento operacional.
- Aeroporto de Carazinho: obras de cercamento operacional e patrimonial receberam aporte de R$ 2,2 milhões.