Campo e Lavoura

Diversificação ameaçada no RS

Perdas por resíduos de herbicida atingem vinhedos de Galvão Bueno, em Candiota 

Problemas de deriva são registrados também em Santana do Livramento, onde muitas vinícolas da Serra mantêm cultivos de variedades de uvas finas

Carlos Rollsing

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Fernando Soares

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Joana Colussi

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Fernando Gomes / Agencia RBS
Edvard Kohn, agrônomo responsável pelos vinhedos da Vinícola Galvão Bueno, lamenta impacto na produção

O resíduo da deriva (produto que não atinge o alvo) de um agrotóxico nas lavouras de soja, principal cultura agrícola do país e do Estado, é apontado como causador de perdas em vinhedos e pomares de oliveiras nas regiões da Campanha, Fronteira e Centro. Nos Campos de Cima da Serra, onde o grão também ganhou espaço, há sinais de prejuízos na maçã e na uva. Com a desconfiança em safras anteriores, neste ano os atingidos comprovaram, pela primeira vez, a presença do princípio ativo 2,4-D nas plantas afetadas — das 53 amostras analisadas pela Secretaria da Agricultura em 18 municípios, 52 tiveram laudos positivos, atingindo 47 propriedades. 

Em Candiota, o mesmo sentimento de frustração é visto na Vinícola Galvão Bueno, do apresentador da Rede Globo, onde a estimativa é de redução de 30% da produção em 30 hectares de parreirais. Na safra anterior, as perdas chegaram a 50%.

– No ano passado, a deriva ocorreu exatamente no período da floração. Agora, os danos foram menores, mas muito impactantes – relata Edvard Kohn (Edinho), agrônomo responsável pelos vinhedos, que também tiveram a confirmação de resíduo em laudo.

Os problemas de deriva são registrados ainda em Livramento, onde muitas vinícolas da Serra mantêm cultivos de variedades de uvas finas. No Estado, até agora, o município da Fronteira Oeste é o que tem o maior número de amostras coletadas com laudos positivos – 11 casos em videiras, um em oliveira e outro em pastagem.

Fernando Gomes / Agencia RBS
Sinval Fernandes diz observar presença do produto em boa parte das propriedades que acompanha em Santana do Livramento

– Nos 150 hectares que acompanho no município, há focos de deriva em praticamente todos, com perdas mais e menos intensas, conforme a localização da propriedade – conta Sinval Fernandes, produtor de uva e consultor em viticultura. 

Única instituição de ensino com curso de bacharelado em enologia, desde 2011, a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) teve o vinhedo experimental de cinco hectares, em Dom Pedrito, afetado pela deriva pelo segundo ano consecutivo. A universidade solicitou laudo da Secretaria Estadual da Agricultura.

– Temos 77 cultivares de uvas diferentes, muitas delas nunca testadas na região – informa o professor Marcos Gabbardo, doutor em ciência e tecnologia agroindustrial na Itália, onde o uso do 2,4-D não é permitido

O curso de bacharelado tem 140 alunos matriculados, além de outros 30 na especialização em enologia. 

– O prejuízo para a pesquisa é enorme, são anos de trabalho perdidos. Além disso, os alunos são prejudicados nas aulas práticas de viticultura e enologia – resume Gabbardo.

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Resíduo da aplicação do herbicida 2,4-D é apontado como causador de perdas em uvas, oliveiras e maçãs. Zero Hora visitou sete propriedades que receberam as confirmações da deriva em Bagé, Candiota, Dom Pedrito, Santana do Livramento, Jaguari e Monte Alegre dos Campos. 


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