Rodrigo Lopes

Rodrigo Lopes

Formado em Jornalismo pela UFRGS, tem mestrado em Ciência da Comunicação pela Unisinos e especialização em Jornalismo Ambiental pelo International Institute for Journalism (Berlim), em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário, e em Estudos Estratégicos Internacionais pela UFRGS. Tem dois livros publicados. Como enviado do Grupo RBS, realizou mais de 30 coberturas internacionais. Foi correspondente em Brasília e, atualmente, escreve sobre política nacional e internacional.

Ucrânia

Jornalista russo anunciado como morto está vivo

Governo da Ucrânia afirma ter encenado morte para frustrar plano do Kremlin

Rodrigo Lopes

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A Guerra Fria acabou, mas os requintes de espionagem ou planos mirabolantes para enganar inimigos seguem vivos. Nesta quarta-feira,o jornalista Arkadi Babchenko, cuja morte foi anunciada pelas autoridades da Ucrânia na terça-feira, apareceu concedendo uma entrevista coletiva. 

As forças de segurança ucranianas explicaram que encenaram sua morte para frustrar um assassinato, que teria sido encomendado pela Rússia. A informação divulgada na terça-feira era de Babchenko teria sido abatido com três tiros ao sair de casa.

Ex-soldado russo convertido em repórter de guerra,  o jornalista apareceu na frente das câmeras e explicou que ele próprio participou da encenação como parte de uma "operação especial" preparada há dois meses.

Sua aparição foi recebida com aplausos e exclamações de incredulidade por seus colegas.

— Eu realmente gostaria de agradecer aos Serviços de Segurança da Ucrânia por terem salvo minha vida. Gostaria de pedir desculpas à minha esposa pelo inferno que ela viveu por dois dias — afirmou.

As forças de segurança ucranianas garantiram que sua família estava ciente da operação.

Babchenko é um crítico do presidente Vladimir Putin e havia se mudado para Kiev, na Ucrânia, em 2017, depois de receber ameaças de morte.  

— Graças a essa operação, conseguimos frustrar uma provocação cínica e documentar os preparativos para esse crime pelos serviços especiais russos — declarou o chefe dos serviços de segurança ucranianos, Vassyl Grytsak.

Babchenko participou nas duas guerras da Chechênia como soldado antes de se tornar um jornalista muito crítico contra o Kremlin.

Ele havia relatado sua experiência nas guerras nesta república russa do Cáucaso em um livro, "One Soldier's War".

Antes de deixar Moscou, trabalhou para o jornal Novaya Gazeta e para a rádio Echo de Moscou, dois meios de comunicação críticos do Kremlin.

 A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que havia instado a Ucrânia e a Rússia a "cooperarem" para esclarecer esse "ato desprezível" em vez de "se envolver em uma perigosa guerra de informações", condenou nesta quarta-feira o que chamou de "simulação dolorosa".

Na manhã desta quarta-feira, dezenas de jornalistas se reuniram em frente à embaixada russa em protesto pela suposta morte. Outra mobilização estava prevista para a noite na praça central de Kiev.


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