Paulo Germano

Paulo Germano

Jornalista formado pela PUCRS, está em ZH desde 2006, mas foi em 2015 que se tornou colunista do jornal. Antes, atuou nas áreas de política, geral, cultura e esportes. É comentarista da RBS TV. Já venceu o Prêmio Petrobras de Jornalismo e foi finalista do Prêmio Esso. PG, como é chamado, escreve sobre vida real.

Gestão da pandemia

Sebastião Melo, um prefeito assustadoramente brando

Ser firme agora não significa ser agressivo, pelo contrário, significa ser piedoso: são medidas enérgicas que farão pessoas parar de morrer

Paulo Germano

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Giulian Serafim / PMPA,Divulgação
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, anuncia medidas ao lado do vice, Ricardo Gomes, nesta quinta-feira

Não queria estar na pele do prefeito, mas, como não me candidatei ao cargo dele, o que me resta neste momento como eleitor e cidadão é avaliar seu trabalho. E Sebastião Melo, ao comunicar novas restrições nesta quinta-feira (25) – antes de Eduardo Leite anunciar o fim da cogestão –, foi assustadoramente brando.

Sei que Melo é um homem ponderado, avesso a radicalismos, mas ser firme agora não significa ser agressivo, pelo contrário, significa ser piedoso: são medidas enérgicas que farão pessoas parar de morrer. Na live transmitida pelo Facebook, um trecho em particular me chamou a atenção. O prefeito dizia que alguns parques da cidade só seriam fechados se as aglomerações continuassem.

– Queremos fazer um apelo à população que não ocupe esses locais. Não vamos, em um primeiro momento, fechar a Orla.

Como assim "em um primeiro momento"? A situação é catastrófica, já tem gente morrendo por falta de atendimento, só em Porto Alegre havia 113 pessoas aguardando leitos de UTI nesta quinta-feira (25), os médicos já fazem ordem de prioridade para entubar pacientes, estamos experimentando o horror da Itália, da Espanha, de Manaus, então que história é essa de "primeiro momento"?

E a ideia de "fazer um apelo à população" até pode ser legal, mas estamos há um ano fazendo apelos à população – que às vezes colaborou, às vezes não. Agora, deu: se é para fechar os parques, que feche imediatamente. Não estou dizendo que essa é a medida certa – até porque, segundo a esmagadora maioria dos infectologistas, o contágio ocorre principalmente em locais fechados, pouco ventilados e com muita gente. Quer dizer: fechar parques e manter shoppings abertos pode ser um estímulo à transmissão do vírus.

Mas Melo já disse que faria de tudo para preservar o comércio aberto, então que fizesse de tudo para reduzir a circulação de outra forma. Abrir mais leitos, como defendeu nesta quinta-feira, é enxugar gelo: nunca serão abertos leitos suficientes, nem na velocidade necessária, enquanto a demanda for desgovernada – sem falar que faltam equipamentos e profissionais para essa ampliação.

Diante de medidas tão acanhadas (que incluíam fechar os espaços culturais e proibir passageiros em pé nos ônibus), a sorte é que o governador decidiu se impor: suspendeu a cogestão e determinou que, a partir de sábado (27), todos os municípios em bandeira preta sigam regras realmente restritivas. Não há outra saída para o atual momento.

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