Segurança

Crime organizado

"Desvendamos hoje apenas a ponta do iceberg", diz superintendente da PF sobre falsos investimentos em criptomoedas no RS

Alexandre da Silveira Isbarrola explicou operação da PF que investiga empresa que agia sem autorização do Banco Central e investia em artigos de luxo para seus sócios

GZH

A movimentação de mais de R$ 700 milhões para supostos investimentos no mercado de criptomoedas — descoberto em investigação da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal no inquérito que deu origem à Operação Egypto nesta terça-feira (21) no RS — pode ser só início de um esquema criminoso que pode levar ao assolamento completo do patrimônio dos investidores. 

— Desvendamos hoje apenas a ponta do iceberg  — afirmou o superintendente da PF, Alexandre da Silveira Isbarrola, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade.

Além dos crimes de operação de instituição financeira sem autorização legal, gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o inquérito apura o envolvimento de pessoas que teriam tentado obter informações sigilosas da investigação e que foram identificadas.

A ofensiva das autoridades cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão em cinco cidades gaúchas e em Santa Catarina e São Paulo. No RS, o foco é a empresa inDeal, com sede em Novo Hamburgo, que agia sem autorização do Banco Central captando recursos de terceiros — o que é ilegal —, prometia retorno de 15% no primeiro mês, mas investia o dinheiro em artigos de luxo  em proveito dos próprios sócios da empresa. Segundo Isbarrola, a empresa "não tinha sequer lastro para sequer fazer a devolução do capital investido" e "estava se tornando uma bola de neve":

— Eles (investidores) recebem um retorno e isso é feito para aumentar a confiança no negócio. Mas a investigação tem elementos de que seguramente as pessoas vão investir mais e logo na frente a empresa não teria capacidade de pagar — explica o superintendente da PF. — Quando a pessoa vê essa oferta de ganho exponencial muito acima do mercado, ela se vê atraída por esse ganho fácil e acaba caindo numa armadilha — completa. 

Polícia Federal / Divulgação
Veículos apreendidos na ação desta terça-feira

Ainda não há um balanço de quantas pessoas foram lesadas, mas o superintendente da PF afirma que são "centenas, de todos os perfis: empresários, funcionários públicos, pessoas que atuam no mercado de ações". Para diminuir o prejuízo das vítimas, veículos e artigos de luxo foram apreendidos na casa dos investigados. 

Isbarrola alerta para a cautela necessária na hora de investir o capital, com cuidado redobrado às informações repassadas pela empresa junto aos órgãos do consumidor, e ao perfil dos supostos sócios:

— Geralmente elas têm uma aparência para poder convencer as pessoas. São muito bem preparadas, às vezes do próprio mercado e que, com toda uma aparência de legalidade e de potência econômica, elas acabam convencendo os investidores a confiar a economia de uma vida inteira. 

O nome da empresa não foi divulgado pela PF, mas a reportagem confirmou a identificação ao ir até a sede onde os mandados foram cumpridos.  

O advogado da inDeal, Julião Ludwig, afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito e, por isso, não tem detalhes da investigação. Entretanto, o defensor salienta que em outra operação em janeiro já foi comprovado a inexistência de pirâmide, o que deve ocorrer novamente agora. 


Ouça a íntegra da entrevista

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