
A demora no atendimento a casos eletivos e de pacientes não positivados para covid-19 apontada na pesquisa "Rio Grande Pós-Pandemia – Os Impactos da Pandemia na Saúde" afetou fortemente o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Porto Alegre. A instituição se viu na posição de ter que suspender cirurgias eletivas e de cancelar consultas ambulatoriais para ter condições de se manter como unidade de referência no atendimento ao coronavírus na Capital. As exceções foram pacientes oncológicos, gestantes que tinham pré-natal de risco, pessoas com infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e aqueles que já eram atendidos pela instituição.
— Vale lembrar que casos de emergência nunca deixaram de ser atendidos, porque nossa emergência seguiu aberta. Mas tivemos, sim, uma queda em nossos atendimentos mensais. Em 2019, tínhamos uma média de 27 mil consultas por mês. Em 2020, isso caiu para 13 mil — afirma Francisco Paz, diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC).
Paz destaca, no entanto, que o HNSC está se encaminhando para a normalidade nos atendimentos.
— Estamos com 19 mil consultas por mês, o que é 70% do que tínhamos antes da pandemia aqui no Estado. O mesmo foi observado nas cirurgias eletivas. Em 2019, a média mensal era de 1,2 mil. No ano passado, caiu para 800, e atualmente estamos em 1,1 mil novamente. Contudo, chegamos a ter mil pacientes no aguardo de cirurgia — afirma o diretor-técnico do GHC.
Paz acredita que, gradativamente, o status dos procedimentos e consultas volte à normalidade com o avanço da vacinação contra a covid-19, visto que, anteriormente, o hospital, além de dedicar amplo espaço aos casos de coronavírus, precisava restringir a circulação de pessoas dentro da unidade:
— Agora, temos pouca demanda de covid-19. Em nossa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) temos, neste momento, 25 pacientes covid e 50 não covid. Quer dizer, agora nossa grande demanda diz respeito a essa parte da população, especialmente, por causa das ondas de frio que o Estado enfrentou, mas também em função dessa demanda represada do ano passado, porque as pessoas perderam o medo de vir ao hospital.




