
Enquanto dezenas de profissionais da CEEE, de empresas de telefonia e de internet trabalhavam para dar um jeito no emaranhado de cabos queimados no cruzamento das ruas Vicente da Fontoura e Felipe de Oliveira, no bairro Petrópolis, moradores assistiam no celular aos vídeos do incêndio que acontecera ali no começo da manhã, fazendo questão de exibir para quem ainda não tinha visto. Quando chegou ao trabalho, às 6h30min, o porteiro de uma escola na quadra também garantiu o registro.
— Estava em labaredas, o poste — relata José Alex Rodrigues, 45 anos.
A principal hipótese é de que o incêndio tenha iniciado durante um problema cada vez mais recorrente na Capital: furto de fios de cobre. Em dezembro, o mesmo teria deixado o Túnel da Conceição sem luz por dias e gerado caos no trânsito entre a Ipiranga e a Azenha em novembro.
Segundo informações preliminares, o incêndio teria começado nos fios de telefonia. No meio da tarde, equipes de telefonia seguiam trabalhando no local. A CEEE informa que foi constatado o furto de duas bases de cabos. Por segurança, a energia elétrica precisou ser desligada para 142 clientes, mas foi restabelecida por volta das 9h.
De acordo com o gerente da CEEE na Região Metropolitana, Jeferson Gonçalves, se em 2017 ocorreram 954 casos de falta de energia em razão de furto de cabos, em 2018 esse número mais do que dobrou, chegando a 2.572. Ele relata que a companhia tem substituído os cabos de cobre por cabos isolados de alumínio, que têm valor de revenda muito mais baixo.

Segundo Gonçalves, esse tipo de crime ocorre de madrugada, e a forma que os criminosos operam costuma ser parecida: eles sobem primeiro em um poste para cortar os cabos com um alicate, vão até outro ponto e cortam ali também.
— Inclusive, estão correndo risco de vida — alerta Gonçalves, sobre a possibilidade de serem eletrocutados.
De acordo com o delegado Luciano Peringer, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio das Concessionárias e os Serviços Delegados (DRCP), um morador da região relatou ter visto um homem caindo do poste, aparentando ferimentos. Mas o delegado acrescenta que a origem do incêndio ainda não foi confirmada, uma vez que também há relatos de que um caminhão teria passado pelo local naquele momento, podendo ter batido na fiação. A polícia está em busca de imagens da região.

Peringer questiona os números da CEEE — afirma que não há quantidade de ocorrências tão expressiva junto à polícia — e relata que, na maior parte das vezes, esses roubos ocorrem para compra de pequenas quantias de drogas. Além do tamanho do transtorno para o bairro — fica horas sem energia elétrica, sem serviços internet e telefone, com desvios no trânsito —, ele ressalta o perigo que o criminoso corre em contraposição com retorno baixo que ele tem.
— Se forem cem metros de cabo, ele vai precisar descascar ou queimar para obter apenas o cobre e vai dar R$ 100, no máximo.
Gonçalves apela para que moradores que virem pessoas subindo em postes em atitudes suspeitas comuniquem imediatamente a Brigada Militar.
Ocorrências de falta de energia em razão de furto de fios
2014- 52
2015 - 72
2016 - 123
2017 - 954
2018 - 2.572
*Fonte: CEEE