
Gols, títulos e a história do maior ídolo do Grêmio foram imortalizados numa estátua fundida em bronze, de 4m10cm de altura e cerca de 300 kg, na noite de segunda-feira (25). Parecia até dia de jogo na Arena. Cerca de 8,5 mil pessoas se reuniram na esplanada para ver de perto o monumento em homenagem a Renato Portaluppi. A imagem do atacante que deu os títulos da Libertadores e do Mundial em 1983 e do técnico que conquistou o tri da América em 2017 agora virou peça permanente do estádio tricolor.
Produzida pelos artistas Theo Felizzola, Iouri Petrov e Jamil Fraga, a estátua relembra o momento em que Renato comemorou um de seus gols sobre o Hamburgo, em Tóquio, que garantiram a taça mais importante já levantada pelo Grêmio. Ainda antes de o monumento ser revelado ao público, o técnico foi às lágrimas. Visivelmente emocionado, agradeceu ao presidente Romildo Bolzan e aos conselheiros do clube pela homenagem. Mas se derreteu, em especial, ao se dirigir aos torcedores.
— Eu tenho um carinho enorme por vocês. Tudo o que tenho na vida, agradeço ao Grêmio — comentou o técnico, que ainda completou: — Acima de tudo, me orgulho de ser gaúcho e de ter jogado e trabalhado em um clube como esse, um dos melhores do mundo. Queria muito que meus pais (Francisco e Maria) estivessem aqui hoje, para sentirem orgulho do filho que colocaram no mundo. É uma homenagem inesquecível.

Desde o início da tarde, torcedores de diversas partes do Estado chegavam à Arena para reverenciar o ídolo. Foi o caso de Maria de Lurdes Fernandes, 71 anos, que viajou desde Pelotas especialmente para homenagear Renato. A técnica de enfermagem aposentada ainda mantém viva a lembrança do primeiro título da América conquistado em 1983 sobre o Peñarol, do Uruguai.
— Naquela final da Libertadores, eu estava dentro do Olímpico. Foi um jogo que me marcou para a vida toda — conta a torcedora, que se declara a Portaluppi: — O que mais me marcou é a lembrança do Renato chegando de Tóquio de roupão. Lembro de toda a trajetória dele no Grêmio. Agora como técnico, não tem explicação. Ele levantou o Grêmio, nenhum outro treinador conseguiria fazer o que ele fez.

A devoção a Renato fez a aposentada Candida Lopes Rocha, 56 anos, ir de cadeira de rodas à Arena. Nem mesmo uma fratura no quinto metatarso do pé esquerdo fez ela desistir de ver de perto a homenagem ao ídolo. Ela lembra de um gesto de gentileza que Portaluppi teve com ela ainda jovem, em 1983, quando tiraram uma foto juntos durante um amistoso do Grêmio no Interior do Estado. Seu marido, o militar Ítalo Rocha, 53 anos, com quem está casada há 31 anos, brinca sobre o registro.
— Rasguei a foto por ciúme. Eu tinha de me impor — sorri Ítalo, lembrando da fama de conquistador de Renato.

Mas nada marcou mais a história de Portaluppi no Grêmio do que a camisa 7. Foi com uma réplica do modelo de 1983 com o histórico número às costas que o autônomo Valter Leppa, 51 anos, compareceu à Arena ontem.
— A lembrança mais marcante que tenho dele é como jogador. Ele sempre se dedicou ao máximo quando usou a camisa 7 no Grêmio — comenta.
A idolatria a Renato também passa de pai para filho. O representante comercial Victor Strassburger, 37 anos, levou no colo o pequeno Antônio, de um ano de idade, à Arena ontem.
— Lembro de ter a camisa do Renato desde pequeno. Ele também já autografou uma para o Antônio. Ele representa o Grêmio, um sentimento. Não sei se vai aparecer alguém que possa substituir ele algum dia. É importante homenageá-lo enquanto ainda está vivo, algo que a ele merece muito — avalia.




