Em junho de 1975, o Grupo RBS promoveu a campanha "Adote Uma Árvore", em parceria com a empresa Adubos Pampa, e com o apoio da Secretaria da Agricultura e do Real Supermercados. Dessa forma, começou a distribuição gratuita de mudas de árvores, que eram acompanhadas de instruções para o plantio. Para ganhar o vegetal, o leitor deveria apresentar o selo que era distribuído nas edições diárias do jornal Zero Hora.
A ação seguiu do dia 14 de julho até o dia 21 de setembro daquele ano, sendo que o leitor podia coletar as mudas nas unidades do Real Supermercados. As plantas foram disponibilizadas pela Secretaria de Agricultura e eram de 17 espécies diferentes, dentre elas cerejeira, ipê amarelo, pitanga preta e araçazeiro. Edições do jornal na época afirmavam que o objetivo era plantar 10 mil mudas na cidade.
Em 16 de agosto do ano seguinte, a iniciativa foi retomada. Porém, na campanha de 1976, o objetivo era plantar 150 mil árvores na cidade. Em uma matéria publicada na semana seguinte da divulgação, afirmava que 18 mil mudas já tinham sido distribuídas. Também vale lembrar que não foi apenas o Grupo RBS que adotou a iniciativa de plantio de árvores. Em 1983, o Shopping Iguatemi lançou a campanha Cubra o Mundo de Verde, quando distribuiu gratuitamente mudas entre os dias 28 de março e 10 de abril. Foram disponibilizadas 40 espécies dentre frutíferas, exóticas e nativas. A ação foi repetida em anos posteriores.
Convém falar que, nas décadas de 1970 e 1980, Porto Alegre tinha uma configuração urbana diferente da atual. Dessa forma, hoje em dia, uma ação de doação de mudas não seria uma boa ideia, segundo a coordenadora da arborização urbana da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Verônica Riffel. Ela afirma que, atualmente, se pensa mais na qualidade das árvores da Capital do que na quantidade. Além disso, Verônica chama atenção que o plantio sem planejamento pode causar problemas futuramente - o que em 2018 levou a prefeitura a centralizar as decisões de plantios na cidade.
— Um vegetal em local indevido vai causar conflitos, como quando há árvores de baixo de marquises, perto de prédios, em calçadas estreitas ou quando oculta a sinalização de trânsito — explica.
Contudo, Verônica ressalta também que o ideal é que se tenha um equilíbrio entre arborização e outros elementos urbanos. Ela relembra também que quase sempre a árvore veio antes dos demais componentes da paisagem, então “não adianta culpar a árvore”. Atualmente, mais vale a qualidade e a zeladoria das árvores que já existem na cidade do que o acréscimo de novas.
A campanha de plantio de árvores não foi o único fenômeno envolvendo o meio ambiente que aconteceu em Porto Alegre naquele ano. Em fevereiro de 1975, Porto Alegre testemunhou o estudante de engenharia eletrotécnica Carlos Alberto Dayrel em cima de uma velha acácia, plantada em 1895, no pátio da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Avenida João Pessoa. Ele, que na época tinha 20 anos, estava protestando contra uma ação da prefeitura para a remoção das árvores do local. Outros dois estudantes também aderiram ao protesto e subiram na árvore, o que acabou rendendo uma multidão ao redor e acarretando em uma ação da Brigada Militar.
Segundo reportagens da época, os estudantes só desceram do vegetal quando o diretor da faculdade de Engenharia, Adamastor Uriartt conseguiu um esquema de conciliação. Contudo, os jovens impuseram a condição de que teriam sua integridade física garantida e que gostariam de falar com o então prefeito, Thompson Flores, para expor as razões do protesto. O chefe do Executivo não os recebeu e, além disso, os três, juntamente de alguns populares e jornalistas que cobriam o fato, foram espancados pelos policiais. O fato é que a repercussão do caso rendeu diversos pronunciamentos e ações a favor do meio ambiente.
Colaboração de Gabriel Mattos