
Santo Antônio da Patrulha é um dos quatro municípios mais antigos do Estado e completa hoje 258 anos. Em 31 de agosto de 1760, o lugar foi elevado à condição de freguesia e inaugurou a Capela Curada de Santo Antônio da Guarda Velha de Viamão. A data foi instituída como comemorativa pelo prefeito Daiçon Maciel da Silva, no ano passado, pela lei 7.952/17.
Santo Antônio da Patrulha, a terra da cachaça, do sonho e da rapadura, nesses 258 anos de história, teve que se reinventar algumas vezes. Uma delas foi quando a freeway deixou a cidade à margem do intenso movimento para o litoral norte gaúcho. Por outro lado, com a construção da rodovia ERS-474, voltou a ser roteiro para muitos que rumam à Serra. A 40 minutos de Porto Alegre e a aproximadamente uma hora das praias e do alto das montanhas, a cidade vem aprimorando atrativos turísticos, diante de suas belas paisagens, arquitetura histórica e, claro, das delícias típicas da gastronomia.
Hoje, Santo Antônio da Patrulha recebe peregrinos de diversas partes do Brasil para o Caminho Gaúcho de Santiago. O trajeto de 19 quilômetros pelo interior do município foi assim denominado depois que o cônsul da Espanha considerou que o solo patrulhense tinha uma réplica de Compostela, em virtude da semelhança com as paisagens do caminho europeu. A Moenda da Canção, o festival de música, é também uma marca e motivo de orgulho para os patrulhenses há mais de três décadas.
A indústria metalmecânica, com a chegada da Multinacional Magna Cosma, em 2011, fortaleceu-se, assim como a manufatura de calçados. A conhecida marca Via Uno é de Santo Antônio e o município tem, também, uma unidade da Piccadilly, além de outras que há tempos operam na cidade. A orizicultura e a pecuária são muito fortes, além do ativo comércio.
É, ainda, um polo universitário e possui um campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Cursos técnicos, de graduação, especialização e mestrado podem ser realizados presencialmente ou a distância, sendo oferecidos por diversas instituições de ensino, tais como Universidade Federal do Rio Grande (Furg), UFRGS, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Uma cidade histórica
Por volta de 1736, foi aberta por Cristóvão Pereira de Abreu a estrada dos tropeiros. Devido ao contrabando de gado que passava por essa estrada, surgiu um registro, também chamado de guarda, mais tarde denominado patrulha, que fiscalizava e cobrava impostos dos rebanhos que passavam por ali e seguiam para Sorocaba e Minas Gerais. Esse aquartelamento é responsável por parte do nome do município, que antes se chamava Guarda Velha de Viamão.

No início de 1743, estabeleceu-se, efetivamente, na atual sede do município, com roças e casas, Inácio José de Mendonça e Silva, que servia como soldado nessa guarda. Ele e sua esposa, Margarida Exaltação da Cruz, são considerados os fundadores do município, pois resolveram construir em suas terras uma capela, na qual hoje localiza-se a pira, na Avenida Borges de Medeiros.
A capela levara o nome de Santo Antônio e, em volta dela, começou a surgir um povoado. Em 1809, passou a ser vila e, em 1811, tornou-se município. Simultaneamente, Rio Grande, Rio Pardo e Porto Alegre receberam a mesma condição, formando, assim, os quatro municípios mais antigos do RS. De Santo Antônio originaram-se 77 municípios.