
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A Hopeful, startup brasileira sediada no Tecnopuc, em Porto Alegre, e especializada em educação em desastres, esteve no início do mês no Centre for the Study of Existential Risk (Cser) da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Na ocasião, foram apresentadas as atividades realizadas pela empresa, o case do RS e uma pesquisa em saúde e desastres. O CEO da Hopeful, Abner Willian Quintino de Freitas, conversou com a coluna sobre o evento.

O que é a Hopeful?
A Hope foi responsável pelo primeiro plano de contingência de Porto Alegre, que não foi executado durante as inundações do ano passado. Trabalhamos preparando indivíduos e instituições pra saberem o que fazer antes, durante e depois dos desastres. Em especial, planos de contingência para governos e planos de negócio para empresas. Fomos também os responsáveis pela principal atualização do plano de contingência de Santa Maria, do programa Santa Maria Resiliente, que criou o primeiro protocolo do Estado pra abrigar 5% da população. Então, a Hope já vem atuando, preparando alguns municípios, para que saiam o que fazer em caso de desastres.
Como foi o trabalho da Hopeful durante a enchente de 2024?
A Hope trabalha junto aos governos antes da ocorrência dos desastres. Durante as inundações, cooperamos na gestão dos desastres, mas a nossa ação é antes da ocorrência. Foram diversas atividades, desde a gestão de abrigos, de voluntariado, que continua sendo um gargalo. Implantamos um modelo em Santa Maria baseado em um comitê gestor e na organização de forças-tarefas. A Hope foi a única startup, únia instituição brasileira convidada para o Fórum Europeu de Proteção Civil, que ocorreu na Bélgica no ano passado.
Como foi o evento no Reino Unido?
Cambridge é uma das quatro universidades que a Hopeful fez apresentação na Europa. Mostramos o case do Rio Grande do Sul em três universidades italianas e, agora, em uma britânica.
Como surgiu esse convite?
A Hope trabalha com cooperação com a Defesa Civil da Itália desde 2019. Todos os anos promovemos uma troca de conhecimento. Na Itália, eles têm muito conhecimento sobre gestão de voluntariado. Lidam com terremoto, atividade vulcânica, deslizamentos e inundações. Sempre trabalho conectando a essas instituições para fazer transferência de conhecimento. Quando o conhecimento local aprendido não é compartilhado, vemos desastres repetindo os mesmos erros.
O que foi apresentado?
Eles tinham interesse em conhecer como é o trabalho da Hopeful em termos de prevenção de desastres. Apresentamos as atividades que realizamos, em especial nos municípios de Santa Maria e Santiago. Depois, trouxemos o case da Capital como exemplo em termos de colapso. Depois, foi apresentada uma pesquisa conduzida na Universidade Federal de Ciências da Saúde sobre o perfil epidemiológico dos desastres no Brasil, ou seja, de mortes por desastre no país.
Qual a importância de mostrar o case do RS?
Esse centro é uma referência global. Então, para uma startup do Rio Grande do Sul ser recebida em Cambridge, para mostrar o que conseguimos fazer, é nos colocarmos dentro da principal universidade britânica. É algo sem precedentes. Em termos de transferência de conhecimento, o que passamos no ano passado não é algo que deva ser esquecido, é algo que tem de se tornar conhecimento, uma oportunidade de mudança.