Não bastasse o choque com o tom do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro da noite de terça-feira (25), a manhã desta quarta-feira (25) foi de mais desgaste com governadores, que culminou no rompimento público do chefe do Executivo estadual de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). A descoordenação agrava a percepção de descontrole no comando da crise deflagrada pelo coronavírus no Brasil, tanto sanitária quanto econômica.
Ao usar a rede nacional de rádio e TV para dar orientações contrárias aos preceitos médicos e às práticas adotadas pela grande maioria dos países afetados pela pandemia, Bolsonaro quebrou de vez a expectativa de que liderasse o combate ao contágio físico do coronavírus, das pessoas, e metafórico, da economia. Nesta tensa manhã de quarta-feira (25), até o ministro da Economia, Paulo Guedes, envolveu-se na disputa política totalmente estéril em torno da estratégia para frear o impacto da doença.
No dia em que se espera que o Congresso dos Estados Unidos deve aprovar o maior programa de ajuda econômica da história do país, que chega a a US$ 2 trilhões, quase todo o PIB do Brasil, o ministro da Economia afirmou estar disposto a usar R$ 120 bilhões em esforços para apoiar o sistema de saúde e os milhões de brasileiros e de pequenas e médias empresas que podem ficar sem receita por um longo período. Os recursos equivalem ao que o Brasil teria economizado no ano passado, no pagamento da dívida, com a redução da taxa de juro. É claro que o Brasil não tem US$ 2 trilhões, mas está claro que a estratégia do ministério está atrasada e é insuficiente.
O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que liderou o esforço para aprovar o teto de gastos, agora receita que a União pague até 80% dos salários a trabalhadores formais e auxílio mensal no caso dos informais. E reforçou o diagnóstico que, nestes dias, une gestores conscientes e administradores responsáveis: primeiro, é preciso preservar a vida, depois, a economia.
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