
Depois de negar a gravidade da crise imposta pela pandemia de coronavirus, desafiar o senso comum com atitudes que colocaram cidadãos em risco e sugerir que a economia pode sobreviver às pessoas, o governo Bolsonaro tenta acertar o passo, para usar metáfora familiar ao presidente.
Antes tarde do que mais tarde, diz a sabedoria popular, mas é preciso que seja agora, antes que seja tarde demais. Até o momento, só o Banco Central anunciou medidas compatíveis com a escala global do socorro público ante o impacto do coronavirus na economia, com seu impacto de R$ 1,2 trilhão.
Nos Estados Unidos, onde Donald Trump também tentou relativizar o risco do coronavírus, o pacote enviado ao Congresso chega a
US$ 2 trilhões, praticamente o mesmo valor do PIB do Brasil. Na Alemanha, passa de 800 bilhões de euros, o que seriam R$ 4 trilhões atualmente.
Certo, o Brasil não tem cofres tão abastecidos quanto esses países ricos. Mas aqui ao lado, um país ainda em pior situação, a Argentina, anunciou que vai distribuir 10 mil pesos, equivalente hoje a cerca de R$ 800, para quem não tem alternativa de renda.
Seria falta de responsabilidade fiscal? O Fundo Monetário Internacional (FMI) , origem das cartilhas mais severas neste sentido, anunciou que está pronto para empregar toda sua capacidade de empréstimos, de US$ 1 trilhão, para apoiar países na "contenção e alívio de catástrofes".
No empresariado, debate-se a necessidade de um Plano Marshall, que socorreu a Europa depois da Segunda Guerra e que o ministro da Economia, Paulo Guedes, costuma citar para se referir a quanto o Brasil paga de dívida ao ano. O pico da doença virá. Até lá, precisamos reforçar a defesa.
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