
O jornalista Leonardo Vieceli colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
O economista Hélio Zylberstajn avalia que o mercado de trabalho apresenta sinais de reação no país, mesmo que em velocidade lenta e influenciado pela informalidade. Especialista no tema, o professor da Universidade de São Paulo (USP) projeta melhora no cenário para 2020 e elogia medidas como o programa Verde Amarelo, que teve pontos criticados por analistas.
Como descreve o horizonte para o mercado de trabalho?
O mercado de trabalho está dando sinais de recuperação. Não é a retomada que gostaríamos. A reação está vindo mais pelo lado das ocupações informais. De qualquer forma, o Caged (levantamento do Ministério da Economia) também mostra alguma melhora na parte formal. Tudo leva a crer que 2020 será melhor do que 2019. A economia está em trajetória de crescimento.
O governo Jair Bolsonaro lançou programa de incentivo a contratações de jovens. Batizado como Verde Amarelo, o projeto não ficou imune a críticas. Qual sua avaliação?
Vamos denominar o programa como deve ser chamado. É contrato de trabalho Verde Amarelo. O presidente Bolsonaro pensou em lançar a Carteira Verde e Amarela, que seria projeto de desregulamentação. O que o governo criou é uma coisa bem mais focada. Por isso, é um contrato. Estimula contratações formais de jovens que nunca tiveram carteira assinada. É um projeto muito relevante.
Por quê?
A taxa de desemprego dos jovens é maior do que a de outros grupos. Os jovens são muito vulneráveis ao desemprego porque não têm tanta experiência. Na crise, adiam o início da trajetória profissional. Enquanto não encontram trabalho, ficam expostos à criminalidade, às drogas. A ideia de tentar resgatá-los é muito relevante. A mídia encontrou um aspecto para crítica. Para financiar o programa, o governo pensou em cobrar parcela daqueles que recebem seguro-desemprego. Com isso, os trabalhadores desempregados contariam o tempo como contribuição para sua aposentadoria. Seria uma troca. A repercussão foi muito negativa, e o governo desistiu desse financiamento. Terá de encontrar outra forma.
Críticos ao projeto veem risco de demissões de trabalhadores mais velhos em troca das contratações de jovens. Qual sua opinião?
Isso seria evitado porque o governo sabe o nível de emprego de cada empresa. Uma companhia só poderia contratar jovens se fosse para aumentar o nível de emprego. O contrato Verde Amarelo não cria vagas de trabalho. O que cria empregos é investimento, crescimento da economia. Quando a economia voltar a crescer mais, as empresas terão no projeto do governo um incentivo para contratar jovens.
Como descreve o cenário para a economia em 2020?
Para avançar mais, precisamos do retorno dos investimentos. A redução do juro deve induzir a isso. Vejo o cenário com otimismo prudente. Devemos ter crescimento visível no próximo ano. Assim, a demanda por trabalho tende a aumentar. A curva está virando. Mas o país vai demorar para reduzir bastante a taxa de desemprego, já que temos cerca de 12 milhões de desocupados.




