
Na prática, o principal resultado do acordo anunciado após longo jantar em Buenos Aires – regado a vinho argentino da safra 2009 – entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping (lembrem-se de que, na China, sobrenomes vêm antes dos nomes), é uma trégua de 90 dias. Durante esse período, os EUA não aplicarão, como ameaçavam, a elevação da tarifa extra de 10% para 25% sobre importações da China
que somam US$ 200 bilhões. O aumento da sobretaxa a partir de 1º de janeiro havia sido anunciado em setembro, quando começou a vigorar a primeira escalada tarifária.
Até agora, os sucessivos aumentos de tarifas – toda vez que os EUA tomaram a iniciativa, a China retaliou – causaram aumento de preços de produtos nos Estados Unidos e no resto do mundo e sucessivas ondas de temores na economia, tanto nos negócios físicos quanto no mercado financeiro, diante da incerteza sobre seus impactos. Anunciado por funcionários ligados à Casa Branca, o armistício na guerra comercial entre os dois países parece francamente favorável a Trump.
No entanto, especialistas em negociações internacionais advertem que a trégua não é uma vitória unilateral do presidente americano. Talvez seja até o oposto. Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, pondera que, na verdade, não há acordo:
– É só uma a suspensão na escalada de tarifas, enquanto buscam negociação. Ainda não houve um acordo especifico.
Além disso, sobre a anunciada aceitação da China de comprar mais produtos agrícolas americanos – um ponto de atenção para o Brasil – nesse período de reavaliação, afirma que não houve compromissos específicos ainda, mas uma promessa geral, que não está condicionada a metas. Portanto, seria mais um sinal de boas intenções do que uma contrapartida estabelecida.
– Na prática, a China ganhou tempo, evitando mais tarifas americanas imediatamente.
À agência de notícias Reuters, Paul Haenle, diretor americano de um centro de estudos em Pequim, Carnegie-Tsinghua, avaliou não ver a trégua como um avanço:
– É mais para evitar um colapso. Esse não é o pior resultado, mas o trabalho duro está pela frente.




