Luciano Potter

Luciano Potter

Jornalista formado pela PUCRS no começo do século. Trabalha para os veículos do Grupo RBS desde o ano da formatura. Atualmente participa, na rádio Gaúcha, do Timeline e do clássico Sala de Redação. Trabalhou na Atlântida, RBSTV, TVCOM e no jornal Zero Hora. Realizou coberturas de Copas do Mundo, SxSw, TeD Talks e outros eventos nacionais e internacionais. Tem uma vida ativa no Instagram no perfil @lucianopotter. Neste espaço, escreve para você ler e grava vídeos para você assistir sobre temas ligados à comunicação: saber ouvir e prestar atenção no mundo.

Tradições familiares 
Opinião

Incrível como crianças são máquinas de melhorar vidas de adultos perdidos no mundo

Sou uma pessoa mais leve, mais amada, porque meu filho menor adora fazer algo comigo

Luciano Potter

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Primeiramente, quem me manda fazer isso está ancorado em estudos científicos. A base é a família. Se a base é saudável, saudável será a pessoa. Querem aspas, eu as dou: “Quem é bom na família também é um bom cidadão”. Sófocles falou isso. Não eu. 

A família é o primeiro contato humano com a sociedade. E o toma lá da cá que rolará ali, em casa, entregará para o mundo alguém amável – ou detestável. Então, derrame amor. 

O caminho é simples: faz jardinagem, gosta de plantas? Passe adiante para o filho. Adora viajar? Leve o filharedo junto. Adora futebol? Por osmose ele gostará. Recebe bem amigos em casa? Seu filho vai amar receber amigos, desde cedo. 

Mas há uma pressão nisso. Porque nós não somos tão legais assim. A gente apresenta um monte de defeitos em forma de tradição familiar que pode ferrar com tudo. 

Então me mexi. Fui ler sobre. Como fazer. Como lidar. Dez regras básicas de como criar tradições familiares. Faz isso. Faz aquilo. E assim está sendo: pegamos um filho e esperamos pelo outro. Cada dia um sai antes. E aí temos aquele tempinho de espera. Nesse dia, o tempinho foi maior. E decidi dar a volta no quarteirão com o pequenino. 

Dei a mão e fomos caminhando. Geralmente as crianças estão de saco cheio. São quase sete da noite, o dia foi longo. Mas ele não parava de falar. Mãozinha dada, e muitas histórias sendo contadas. Algo da aula, de um colega, do YouTube, um monte de assunto engatado. Eu perguntando mais, ele excitado contando as suas coisas, fazendo observações sobre o quarteirão e, enfim, ato realizado. Quatro quadras caminhadas. 

Entramos, pegamos o mano e fomos pra casa. Alguns dias depois, a mesma coisa. Chega antes, tempo vago e ele me pega pela mão e fala: “Vamos dar a volta na escola, papai?”. 

De graça. Sem esforço. Sem querer. Tenho uma tradição com o meu menor. Não sei se isso o afetará para o bem. Não sei se ele será um bom cidadão e, se for, esses passeios contribuiriam para isso? Também não sei.

Mas o que já sei é que agora a minha vida tá melhor. Tirei um peso das costas. Sou um cara que criou tradição familiar. Sou uma pessoa mais leve, mais amada, porque meu filho menor adora fazer algo comigo. Incrível como crianças são máquinas de melhorar vidas de adultos perdidos no mundo.

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