Foi uma inauguração à altura do Teatro Simões Lopes Neto e do Multipalco Eva Sopher. Na noite da última quinta-feira (27), a mais nova casa de espetáculos do Rio Grande do Sul, no subsolo do Theatro São Pedro, em Porto Alegre, recebeu uma ópera grandiosa: Turandot, de Giacomo Puccini.
Antes da apresentação, houve o descerramento de uma placa e o desenlace de uma fita na entrada do teatro.
Participaram da cerimônia as filhas de Dona Eva, Ruth Pereyron e Renata Rubim, acompanhadas do governador Eduardo Leite e do marido dele, Thalis Bolzan, da secretária de Cultura do Estado, Bia Araujo, e do presidente da Fundação Theatro São Pedro, Antonio Hohlfeldt.
Os ex-governadores Jair Soares, Olívio Dutra e José Ivo Sartori também estiveram presentes, entre outras autoridades, artistas, intelectuais e empresários, com destaque para Jorge Gerdau, que nos últimos 20 anos foi um dos grandes apoiadores da obra, e Fernando Lemos, presidente do Banrisul, instituição parceira desde o início.
O espetáculo
Quando as cortinas se abriram, a magia aconteceu. O público foi presenteado com uma megaprodução, que envolveu mais de 200 profissionais e usou toda a estrutura do espaço de 576 lugares. Nota: o teatro com cheirinho de novo provou ter acústica perfeita e poltronas confortáveis (com espaço para as pernas!).
No fosso, 60 músicos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) foram comandados pelo experiente maestro argentino Carlos Vieu, convidado especialmente para a ocasião. Minutos antes, ele circulava entre os convidados, sorrindo e agradecendo a oportunidade de inaugurar o teatro. Uma simpatia.

No palco, das coxias, o maestro Sergio Sisto liderou com competência as 45 vozes do novíssimo Coro Lírico, um dos grandes destaques da noite.
A eles, uniram-se os solistas Eiko Senda e Enrique Bravo (os protagonistas, como Turandot e Calaf), ao lado de Gabriella Pace, Daniel Germano, Homero Velho, Felipe Bertol, Matías Herrera, Adolfo Amaral, Roberto Moreira, do ator Eduardo Severino, de um lindo coro infantil e dos bailarinos da Plural Cia de Dança, João Ritta, Mark Adriano, Mauricio Miranda e Pedro Coelho. Um timaço.
Com concepção e direção cênica de Flávio Leite, da Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (Cors), que mais uma vez provou sua força, o grupo brilhou e encantou.
Os cenários de Yara Balboni, a iluminação de Ricardo Vivian, os figurinos de Daniel Lion, o visagismo de Gabriele Ávila, as coreografias de Carlota Albuquerque, tudo contribuiu para o êxito.
Legendas projetadas na parte de cima do palco ajudaram o público a entender o enredo cantado em italiano. A narrativa fala de uma princesa do Império Chinês atormentada por uma maldição. É uma grande história de amor.
Foi emocionante, em especial, a execução da famosa Nessun dorma (algo como "Que ninguém durma"), conhecida no mundo inteiro na voz do tenor Luciano Pavarotti.
O gran finale — aqui vai mais um spoiler — foi apoteótico, de aplaudir de pé.
Haverá mais três apresentações nos próximos dias: neste sábado (29), no domingo (30) e na segunda-feira (31), todas com ingressos esgotados.
Viva a arte produzida no Rio Grande do Sul! Viva o Multipalco Eva Sopher! Bravo!