Estamos comemorando o crescimento de 0,6% do PIB brasileiro no terceiro trimestre, mas a pergunta que mais fazem para a coluna hoje é: isso representa a retomada da economia? Sinaliza, mas não é suficiente para apagar a recessão, ou seja, voltar ao nível pré-crise. Importante lembrar que o avanço divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (2) é uma variação e estamos ainda nos recuperando da recessão mais longa já registrada na história do Brasil.
Então, a que patamar voltamos com esse crescimento? Retornamos ao nível que a economia brasileira tinha no segundo trimestre de 2015, calcula o economista João Fernandes, da Quantitas, gestora de fundos de Porto Alegre. Naquela época, o Brasil já estava em recessão, que teve início um ano antes, no segundo trimestre de 2014, e se estendeu até o final de 2016.
— Significa que o que foi produzido de bens e serviços foi no mesmo volume daquele período, em termos reais, ajustado pela inflação — explica Fernandes, lembrando que o PIB trimestral atingiu agora R$ 1,842 trilhão. Ainda é 3,6% abaixo do auge, atingido no início de 2014.
Apesar disso, o segundo trimestre consecutivo de crescimento tem sim de ser comemorado. Até mesmo porque o investimento privado teve avanço, a construção finalmente mostrou reação e temos fatores que projetam um bom final de ano, como a liberação do FGTS e até mesmo dados positivos da Black Friday.
— Para o PIB voltar para as máximas, é inevitavelmente algo gradual. O lado bom da história é que na margem a economia está ganhando tração. E a perspectiva é que continue, ou seja, o PIB vai continuar crescendo trimestre a trimestre, cada vez voltando para patamares mais altos até superar o período pré-crise — acrescenta o economista João Fernandes.
De qualquer forma, não dá para a economia emperrar. É preciso que o ritmo de crescimento seja, inclusive, acelerado para que a trajetória de expansão seja retomada com fôlego.
— Isso não se circunscreve apenas a produzir, investir e consumir. Vem acompanhado de elementos como criação de empregos, desenvolvimento, aumento do volume de recursos públicos disponíveis, entre outros aspectos.
Veja o gráfico feito pelo economista João Fernandes:
Colunista Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Colaborou Daniel Giussani (daniel.giussani@zerohora.com.br)
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