Segurança

Indicadores da criminalidade
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RS teve no ano passado o menor número de ataques a banco desde 2012

Em 2022, foram 30 ocorrências do tipo; no recorde da série histórica, em 2015, foram 287

Eduardo Matos

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Prefeitura de Amaral Ferrador / Divulgação
Em maio, ladrões atacaram banco, fizeram reféns e atiraram contra batalhão da BM em Amaral Ferrador

O Rio Grande do Sul registrou em 2022 o menor número de ataques a banco da série histórica. O dado consta nos indicadores de criminalidade divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Em razão de modificações no formato estatístico, a série história para esse tipo de crime começa em 2012, somando roubos e furtos a instituições bancárias. Antes, os furtos não entravam no indicador, que levava em conta somente os roubos.

No ano passado, conforme a SSP, foram 30 ocorrências — queda de 23,07% em relação a 2021, quando houve 39 registros. Já na comparação com o recorde de ataques — 287, em 2015 — a redução é de 89,54%.

Para o delegado João Paulo de Abreu, titular da 1ª Delegacia de Repressão a Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), um dos fatores que contribuíram para a redução desse indicador é o aperfeiçoamento das investigações.

— Sempre buscamos que os fatos sejam esclarecidos, buscamos uma forma que o Ministério Público ofereça denúncia, que possa buscar a condenação dessas pessoas em juízo. E também que os autores desses crimes, se identificados, que permaneçam a maior parte do tempo presos — destaca.

Abreu sustenta que o trabalho integrado com a Brigada Militar tem sido um fator importante para coibir os ataques. Cita também a parceria com o Instituto-Geral de Perícias (IGP), que auxilia na coleta de vestígios para ajudar a chegar nos autores dos crimes.

— Prisões sendo bem realizadas e ações penais tramitando de forma rápida, com condenações, são pontos importantes — complementa o delegado, destacando também o papel das instituições bancárias no aumento dos próprios sistemas de segurança.

O subcomandante-geral da BM, coronel Douglas da Rosa Soares, diz que há algum tempo a corporação vem desenvolvendo uma operação, chamada Angico, com objetivo de reduzir o números de ataques a banco.

— Essa operação tem trabalhado de duas maneiras: uma no aparato preventivo, e outra no repressivo. No preventivo, mensalmente a Brigada Militar, por meio dos órgãos de inteligência, aponta quais os municípios que podem ter algum indicativo de ocorrência. Dessa maneira, nós ocupamos cidades do Interior com efetivos que passam a patrulhar de maneira mais ostensiva esses locais. Na questão repressiva, a Brigada Militar vem treinando e capacitando gestores e operadores para fazer frente a esse delito — destaca.

Segundo o oficial, o número de unidades de choque da corporação no Estado dobrou, de três para seis. Ele diz ainda que o Batalhão de Aviação também foi organizado para dar suporte aéreo nas ocorrências. Houve, ainda, melhora de estrutura do Batalhão de Operações Especiais, unidade que é chamada em casos como esses.

Doutor em Sociologia e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Marcos Rolim lembra que o roubo a banco é um delito que tem diminuído em todo o Brasil desde 2000, assim como os ataques a caixas eletrônicos.

— Há vários fatores que concorrem para essa queda e, possivelmente, os dois mais importantes sejam os investimentos realizados pelos bancos em segurança e em tecnologia e a redução do volume de operações presenciais em agências bancárias, e a decorrente redução dos volumes de recursos disponíveis nessas agências. Isso reduziu em muito a recompensa possível em caso de roubos bem-sucedidos — observa.

Rolim avalia que as quedas maiores em 2021 e 2022 estão "possivelmente vinculadas às medidas de distanciamento social na pandemia".

— O fato é que, cada vez mais, as operações bancárias são realizadas eletronicamente, de modo que já temos, inclusive, bancos inteiramente virtuais. Natural, então, que o número de ocorrências despenque — acrescenta.

João Carlos Trindade já foi comandante-geral da BM e hoje atua como consultor de segurança. Para ele, o trabalho conjunto das polícias contribui para a redução desse tipo de crime. Cita também a importância da evolução tecnológica de segurança das instituições financeiras. Além disso, para ele, o aspecto político dos últimos anos precisa ser levado em conta nessa análise.

— Tem um aspecto importante que precisa ser mencionado, é que durante o governo (do ex-presidente Jair) Bolsonaro as instituições policiais se sentiram mais encorajadas para o enfrentamento (aos criminosos). Então, todos esses aspectos fazem reduzir a criminalidade — observa o ex-oficial, ao citar também a importância da sequência de um trabalho planejado para a segurança pública durante a gestão de José Ivo Sartori no Executivo gaúcho, que teria sido seguido no governo de Eduardo Leite.

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