
A Polícia Civil diz já ter elementos suficientes para acreditar que o homem suspeito de matar a ex-companheira a facadas em Porto Alegre, no início da noite da última segunda-feira (9), planejou o crime. Claudete Weber Batista, 48 anos, era cozinheira e foi assassinada dentro de casa na Vila Nazaré, zona norte da Capital. O autor não aceitava o fim do relacionamento. A suspeita é de que se trate de um caso de feminicídio — quando a morte da mulher ocorre em contexto de violência doméstica ou quando acontece por menosprezo à condição feminina.
Segundo a delegada Tatiana Bastos, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, o relato de testemunhas e os últimos passos do suspeito reforçam a hipótese de que o crime foi premeditado. É investigada também uma possível motivação financeira, já que o casal havia comprado um imóvel recentemente.
— Nós ouvimos mais de 12 testemunhas, conseguimos um passo a passo do suspeito e tudo indica que ele premeditou o crime. Já fizemos o pedido de prisão, mas ainda aguardamos a resposta do Judiciário — disse a delegada, que não divulga a identidade do suspeito (que ainda não foi localizado) enquanto a Justiça não se manifestar sobre a prisão.
O casal encerrou um relacionamento de 12 anos e, na quarta-feira anterior ao crime (4), o homem foi posto para fora de casa. No dia do crime, segunda-feira (9), o suspeito, que trabalhava fazendo bicos como mecânico, foi pela parte da manhã até a oficina de um amigo, onde deixou o seu carro, um Marea prata. Saiu com um outro carro não identificado.
Em seguida, por volta das 14h, foi até uma oficina em Alvorada, de onde havia sido dispensado recentemente por excesso de faltas. Ele então teria agredido o antigo patrão com três socos e pegou R$ 538.
— Esse era um dinheiro que o patrão estava devendo pra ele. O pagamento deveria ter sido feito na sexta-feira (6), mas acabou ocorrendo somente após o final de semana, o que teria deixado o suspeito irritado — complementa a delegada.
Uma hora depois, o suspeito foi até a casa de uma amiga em Alvorada, trocou um pneu do carro e saiu sem dizer para onde ia. Mais tarde ele foi visto em um bar próximo à casa da ex-companheira. Pediu um samba, mistura de refrigerante com cachaça, e ficou esperando que o genro saísse da casa para buscar os filhos na escola.
Ele havia combinado de pegar algumas roupas na casa da ex-companheira e, por volta das 18h, foi até a residência, no momento em que a vítima estava sozinha. A filha de Claudete chegou uma hora depois, mas como o autor havia quebrado as chaves dentro dos cadeados no momento da fuga, foi necessário arrombar o portão. A vítima foi encontrada morta a facadas em cima da cama.
Segundo a Polícia Civil, em 2013 o homem já havia sido denunciado pela Lei Maria da Penha, por ameaças feitas a Claudete, que inclusive pediu medida protetiva. Ele descumpriu a medida dias depois, mas o casal acabou se reconciliando e as denúncias foram retiradas. Claudete tinha uma filha de outro relacionamento e o suspeito tem dois filhos também de um casamento anterior.