
Uma análise feita pelo laboratório Acqualab para ZH na semana passada avaliou alguns critérios de potabilidade previstos pela Anvisa (bactérias e coliformes, por exemplo) em amostras de água da torneira de 10 bairros de todas as regiões da Capital: Aberta dos Morros, Centro, Jardim do Salso, Lomba do Pinheiro, Menino Deus, Petrópolis, Rio Branco, São João, Sarandi e Tristeza. Em todos os eles, os resultados para a presença de bactérias e coliformes, os níveis de pH e cloro e os parâmetros de cor e turbidez foram considerados satisfatórios.
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Mas isso não significa que esteja tudo certo com o líquido: a análise mais minuciosa feita em São Paulo, cujos resultados devem sair até dia 18, serão mais conclusivas.
– Foram análises normais. Alguns pontos ficaram um pouco fora do padrão, mas nada que invalide o sistema – explica José Emílio Esteves, diretor do laboratório que tem mais de 20 anos de experiência em análises médicas e ambientais.
Dos 10 pontos coletados, seis mostraram pequenas variações em relação aos parâmetros recomendados pelo governo federal. Nos bairros Centro, São João e Tristeza, o cloro apareceu abaixo de 0,20 mg/L, o que, segundo especialistas, pode acarretar contaminação ao longo do sistema. Como nos três casos a água da torneira passava por caixas d'água – e o cloro pode evaporar dependendo do período de armazenamento –, o problema não está, necessariamente, relacionado ao tratamento feito pelo Dmae.
– Nesses pontos, mesmo com o cloro residual abaixo do normal, a água ainda está livre de coliformes. Mas isso pode não valer para outros agentes não previstos na legislação – avalia Fernando Spilki, da Feevale.
Outros dois locais onde a água passava por caixas d´água mostraram índices de pH inferiores aos ideais: nos bairros Aberta dos Morros e Lomba do Pinheiro, o número ficou um pouco abaixo dos 6 recomendados pelo Ministério da Saúde. A variação, conforme especialistas, também pode estar relacionada à falta de manutenção. Em nenhum dos pontos, no entanto, o nível detectado é motivo de preocupação.
Em apenas um dos lugares coletados, o líquido não passava por caixas d'água. Nessa amostra de água vinda diretamente do Dmae, retirada de uma residência no bairro Sarandi, o pH também apareceu levemente abaixo dos 6. O órgão informa que, nesses casos, o valor é arredondado para cima.
Ainda de acordo com o Dmae, os testes feitos pelo laboratório privado para ZH são realizados diariamente na água da Capital. Desde a mudança no cheiro e no gosto, identificada por consumidores há quase dois meses, o órgão adiciona carvão ativado ao tratamento e passou a liberar dióxido de cloro na água 24 horas por dia para tentar amenizar o desconforto. Além disso, segundo o Dmae, são feitas, semanalmente, análises de microcistinas, toxinas que podem ocasionar riscos à saúde. Os níveis encontrados estariam dentro do padrão.