
Em uma nova divulgação de mensagens privadas, conversas atribuídas a integrantes da Lava-Jato indicam que o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, era visto com desconfiança pelo grupo durante boa parte do tempo em que colaborou com as investigações da operação. O relato de Léo Pinheiro só teria sido considerado depois de ter sido alterado diversas vezes, até ele mudar sua versão sobre o apartamento triplex de Guarujá (SP) e relacioná-lo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil e pelo jornal Folha de S.Paulo.
O conteúdo com as mensagens foi recebido pelo Intercept — que não divulgou o nome da fonte — e analisado e publicado pela Folha.
"Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt. Guaruja”, escreveu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes a outros integrantes da Lava-Jato, responsáveis por negociar uma delação com os advogados da OAS em agosto de 2016.
"Diziam q não tinha crime.", completou.
A versão que incrimina Lula foi obtida de Pinheiro em 2017, um ano depois do início das negociações. A versão foi dada quando o empreiteiro foi interrogado pelo então juiz da operação, Sergio Moro, no processo do triplex. Na época, Pinheiro disse que uma reforma no apartamento fazia parte de acertos que ele teria fechado com o PT em troca de contratos da OAS com a Petrobras.
Conforme a Folha, uma fonte que acompanhou as negociações entre OAS e Lava-Jato na época afirmou que, em princípio, Léo Pinheiro teria dito que o triplex era um presente para Lula, e que nada havia sido pedido em troca. Segundo a mesma fonte, os procuradores não teriam ficado satisfeitos e o empreiteiro mudou a versão pelo menos duas vezes até chegar a última, que incrimina Lula.


