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A produção industrial brasileira fecha 2020, com índice negativo de 4,2%. A informação foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a segunda queda seguida, em 2019 havia sido de -1,1%. Na série histórica, iniciada em 2003, o pior resultado ainda é de 2016, quando houve recuo de 8,3%.
Se a estatística fosse analisada apenas a partir deste dado global, as perspectivas para 2021 seriam péssimas. No entanto, o resultado do último trimestre de 2020 revela dois indicativos positivos para este ano. Primeiro, é consenso de que o tombo foi menor do que se supunha. Segundo, no contexto regional, as empresas da Serra estão entusiasmadas com o aumento na demanda, o que acaba por favorecer a aceleração da produção.
Paulo Antônio Spanholi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs), é um desses empresários que vislumbram 2021 mais positivo em termos de crescimento.
— 2020 não foi tão ruim quanto esperávamos. Felizmente, houve uma reação muito grande no segundo semestre e, principalmente, no último trimestre. Isso nos deu uma luz para que acreditássemos que 2021 pode ser um ano fantástico — argumenta Spanholi.
Durante o ano passado, o Simecs realizou um levantamento em que foi possível acompanhar os impactos da pandemia nas empresas dos associados ao sindicato. No primeiro relatório, em abril de 2020, 88% dos respondentes revelavam queda ou queda intensa na demanda de suas companhias. Felizmente, no último levantamento, de dezembro do ano passado, 70% já demostrava que a demanda havia aumentado.
— Janeiro foi um mês muito bom e fevereiro vem dando bons indicativos de que será também. Com o agronegócio andando bem, acaba puxando os outros setores. Vejo com bons olhos também a votação dos novos presidentes da Câmara Federal e do Senado, acho que agora vamos ter um ambiente melhor para as reformas tributária e administrativa — avalia Spanholi.
Falta de matéria-prima deve ser normalizada até março
O presidente do Simecs explica que o resultado dos últimos meses de 2020 só não foi melhor porque houve falta de insumos e matéria prima. No entanto, ele acredita que até março a situação esteja normalizada.
— Tivemos um ambiente um pouco ruim na entrega de insumos, aços, polímeros e embalagens, isso prejudicou bastante o resultado final. Mesmo assim, houve uma reação grande, se considerarmos um ano atípico.
Geração de emprego ainda preocupa
Apesar do cenário favorável, Spanholi se diz preocupado com a questão do emprego. Esse é um ponto determinante para a aceleração da economia, acredita.
— Gerando emprego, gera-se renda e o consumo aumenta — sintetiza.
Mas para que isso ocorra ele entende que os empresários precisam confiar no governo e, este, no entendimento de Spanholi, deve estabelecer as condições ideias para o investimento das empresas a partir das reformas estruturais.
— O empresário não acredita no governo, não pelo menos, na maneira com que vinha acontecendo. O empresário só investe se for para ter resultado. Por isso, acredito que, com as reformas, teremos um ambiente melhor para investir — explica.
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