Victor e Matheus bem poderiam formar uma dupla sertaneja, como brinca a mãe, Dieli Santini. Os irmãos caxienses de 14 e 13 anos, contudo, se identificam mesmo é com o punk rock e com as bandas gaúchas que beberam da fonte de Ramones, Sex Pistols e The Clash, como Replicantes e Tequila Baby. Quando os irmãos se juntaram aos amigos igualmente roqueiros Gustavo Alban (13, baterista), Louise Fincatto (vocal) e Pedro Pezzi (vocal), estava formada, então, a Cabras da Peste, banda que tem chamado a atenção nos palcos da Serra e também na Capital. Em novembro, a banda trouxe para Caxias o primeiro lugar do 1º Festival de Músicos para o público infanto-
juvenil da casa de shows Sixteen Station, de Porto Alegre.
A ideia para o nome partiu do baterista, inspirado pelo filme homônimo estrelado por Matheus Nachtergaele, produzido pela Netflix e lançado em 2021.
– O nome original era Dead Birds (Pássaros Mortos), mas a gente não gostava tanto. Estávamos atrás de outro nome quando eu assisti ao filme e achei que soava bem. Logo de cara todo mundo gostou – conta Gustavo, que é fã de Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana e líder do Foo Fighters, e do gaúcho Júlio Sasquatt, ex-Blackbirds.

A pouca idade e os braços ainda franzinos para segurar instrumentos pesados ou para espancar a bateria contrastam com a personalidade que os Cabras da Peste demonstram quando sobem no palco, seja para tocar na mostra de talentos da escola ou diante dos roqueiros raiz em bares como a Bier Haus e a Ordeo Garden Station, em Caxias, ou o Vier Pub, em São Marcos. O baixista, Matheus, conta que a única vez que a banda sentiu algum nervosismo foi no dia em que tocaram na recepção à torcida do Juventude, em frente ao Estádio Alfredo Jaconi. Mas também tiraram de letra.
– A maioria das apresentações a gente toca para pessoas que foram até o local para curtir um show de rock, mesmo que seja o da banda que vai tocar depois da gente. Naquele dia nós não sabíamos como seria, mas as pessoas que estavam só passando começaram a parar e a curtir. Fomos bastante aplaudidos e foi muito legal – conta o guitarrista.
Tanto em ensaios quanto nas apresentações, a banda é acompanhada de perto por pais e mães entusiasmados, que dividem funções para dar suporte à gurizada. Até a ideia de ter dois vocalistas foi sugestão da mãe de Louise.
– Quando ainda estávamos apenas ensaiando, ela (a mãe) disse que seria legal ter alguém para dividir os vocais por eu não conseguir atingir as notas mais graves. Eu já conhecia o Pedro das aulas na escola de música e o convidei pra entrar na banda – conta a menina.

A mistura fina de talento, dedicação e carisma dos caxienses chamou a atenção de dois dos seus principais ídolos, Duda Calvin e James Andrew, vocalista e guitarrista da Tequila Baby, pelas redes sociais. Com o guitarrista, já dividiram o palco em uma apresentação em São Marcos. Outro roqueiro icônico que se rendeu à gurizada foi Edu K, vocalista do DeFalla, que também se tornou um incentivador ilustre.
Com uma rotina de ensaios semanais aos sábados e aulas do próprio instrumento durante a semana, os Cabras da Peste querem dar um passo além em 2025, incluindo no show algumas músicas autorais. Enquanto estas não vêm a público, os caxienses se dedicam a aprimorar suas versões para o repertório que já conta com mais de 25 músicas, sendo diversas delas em inglês, como nas versões para hits do Green Day, Ramones e Offspring. Mas o que a gurizada parece curtir mesmo é reverenciar os ídolos que podem conhecer de perto. Por isso, seguirão dando orgulho a diversas gerações de roqueiros que um dia, provavelmente ainda na adolescência, também sonharam em subir num palco e extravasar sua atitude.
No dia 7 de fevereiro, a Cabras da Peste faz o primeiro show do ano no Vier Pub, em São Marcos. No dia 8 de março, a gurizada se apresenta na Republik Bierfest, no Clube União Forquetense, em Caxias do Sul, que terá a Rosa Tattooada entre as atrações.