O esquema de desvio de recursos e pagamento de propinas na Petrobras operava a partir de quatro núcleos: político, administrativo, econômico e financeiro. É dessa maneira que o Ministério Público Federal (MPF) estruturou a suposta organização criminosa que operava na estatal. A investigação de fatos envolvendo aspectos administrativos, econômicos e financeiros permanece tramitando na Justiça Federal do Paraná. As ações com envolvimento de políticos citados em depoimento pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef estão sob alçada da Procuradoria-Geral da República, que na sexta-feira à noite recebeu autorização do Supremo Tribunal Federal para abrir 21 inquéritos.
Segundo os depoimentos, os agentes políticos responsáveis pela indicação de Costa para a diretoria de abastecimento recebiam, mensalmente, um percentual do valor de cada contrato firmado por essa estrutura administrativa. Outra parte era destinada a integrantes do PT que fizeram a indicação de Renato Duque para a diretoria de serviços, responsável por indicar a empreiteira a ser contratada após o acordo entre as empresas que formavam um cartel, chamado de "clube".
De 2004 a 2011, eram os integrantes do PP que dariam sustentação à indicação de Paulo Roberto, e, a partir de meados de 2011, os integrantes do PMDB, responsáveis pela indicação do diretor da área internacional da estatal, teriam passado a apoiar o nome de Costa para o cargo de diretor. Por esse motivo, também começaram a receber uma fatia da propina, dizem os procuradores.
Costa e Youssef ainda esclareceram, segundo o MPF, que o esquema operado no âmbito da diretoria de abastecimento se repetia nas áreas de serviços e internacional. O pagamento da propina seria feito pelas empreiteiras diretamente aos agentes políticos ou por meio de Youssef (PP), Fernando Baiano (PMDB) e João Vacari Neto (PT), apontados como operadores do núcleo financeiro.
Procuradoria vê ação de quadrilha
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os executivos da Petrobras envolvidos no esquema formam o núcleo administrativo, enquanto as empresas que atuavam em cartel nas obras representam o núcleo econômico. Entre as empresas citadas nas investigações, estão Galvão Engenharia, Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, Setal, GDK e OAS. Um dos objetivos da investigação, que será realizada a partir de agora por procuradores e policiais federais, é confirmar se os parlamentares cometeram crime de formação de quadrilha.


