
Quando Luan foi eleito o melhor jogador do continente pelo jornal uruguaio El País, em 2017, pouca gente ousou contestar. Afinal, tratava-se do grande nome do Grêmio, que havia conquistado a Libertadores daquele ano. Porém, de lá para cá, o camisa 7 está longe de seus melhores dias. Acometido por uma fascite plantar, o meia-atacante sequer conseguiu terminar a última temporada. Agora, abre 2019 muito contestado por atuações apáticas e baixo desempenho. Mas, a culpa pode não ser dele e, sim, da maldição do Rei da América. Brincadeiras à parte, relembre casos de atletas que logo depois de receberem o mesmo prêmio enfrentaram problemas na carreira:
Tostão

O jornal venezuelano El Mundo criou a premiação em 1971 e escolheu o ponta de lança Tostão como seu primeiro vencedor: craque do Cruzeiro e da Seleção Brasileira tricampeã mundial no México. Porém, em 1973, já vestindo a camisa do Vasco, o jogador mineiro foi orientado a abandonar a carreira sob o risco de ficar cego por conta de uma inflamação na retina decorrente de uma bolada no olho.
Palermo

A maldição do troféu voltou a acontecer com o vencedor de 27 anos depois. Em 1998, já sob a organização dos uruguaios do El País, foi eleito o centroavante Martin Palermo, do Boca Juniors. De fato, a fase vivida pelo centroavante era magnífica, tanto que rendeu uma convocação para a seleção argentina. No entanto, foi na Copa América do ano seguinte que ele também entraria para o Livro dos Recordes ao perder três pênaltis em uma única partida (contra a Colômbia).
Cabañas

Em 2007, o paraguaio Salvador Cabañas foi o vencedor da taça. No ano seguinte, vestindo a camisa do América, do México, foi o carrasco de equipes brasileiras pela Libertadores, chegando a marcar três gols contra o Flamengo, no Maracanã. Entretanto, em 2010, o centroavante sofreu um duro golpe na carreira. Na saída de uma casa noturna, na capital mexicana, o jogador foi vítima de uma suposta tentativa de assalto e acabou baleado na cabeça. Após uma cirurgia de altíssimo risco, ele sobreviveu e chegou a voltar aos gramados anos depois. Nunca mais com o mesmo destaque.
Ronaldinho

Com a camisa 10 do Atlético-MG, Ronaldinho foi o grande nome na conquista da Libertadores de 2013. Na temporada seguinte, deixou de ser unanimidade. Em julho de 2014, se transferiu para o Querétaro, do México. Retornaria ao Brasil para defender o Fluminense, mas já sem o mesmo brilho. Fez apenas nove jogos no Tricolor carioca. Foi o crepúsculo do craque gaúcho.
Teo Gutiérrez

Em 2014, Teófilo Gutiérrez estava em alta. Recuperou-se de uma lesão no joelho a tempo de jogar a Copa do Mundo com a seleção colombiana e, em dezembro, ajudou o River Plate a conquistar a Copa Sul-Americana. Por isso, o Sporting de Portugal veio buscá-lo quando ainda ostentava o status de melhor do continente. Mas, desde então, despencou de rendimento. Foi deixado de fora da convocação para a Copa América de 2016, trocou a Europa pelo Rosario Central e, atualmente, milita no Júnior de Barraquilla. Já se vão dois anos desde que defendeu sua seleção pela última vez.
Carlos Sánchez

Um dos principais nomes do River Plate na conquista da Libertadores de 2015, o meia Carlos Sánchez seguiu atuando em alto nível mesmo após sua transferência ao Monterrey, do México. Porém, em 2018, o jogador foi o pivô da eliminação do Santos no torneio continental. Contratado como reforço da equipe paulista, o uruguaio não poderia ter atuado contra o Independiente, pelas oitavas de final, porque tinha um jogo a cumprir por suspensão. Sua escalação rendeu a perda de pontos do time brasileiro.
Borja

Destaque da Libertadores de 2016, conquistada pelo Atlético Nacional de Medellín, o centroavante colombiano foi contratado pelo Palmeiras. Ainda que tenha feito parte da equipe campeã brasileira no ano passado, está longe de ser unanimidade. Perdeu inclusive a titularidade para Deyverson.
Jogadores que quebraram a maldição
Nem só de azar vive o "Rei da América". Alguns atletas alcançaram os melhores momentos de suas carreiras logo após serem agraciados com a premiação. É o caso dos brasileiros Zico, Bebeto, Romário e Neymar. O mesmo se pode dizer dos argentinos Maradona, Tévez e Verón. Há até mesmo o caso dos colorados Figueroa e D'Alessandro, que seguiram rendendo em alto nível.
Confira os Reis da América:
1971: Tostão (Cruzeiro)
1972: Cubillas (Alianza Lima-PER)
1973: Pelé (Santos)
1974: Figueroa (Inter)
1975: Figueroa (Inter)
1976: Figueroa (Inter)
1977: Zico (Flamengo)
1978: Kempes (Valencia-ESP)
1979: Maradona (Argentinos Juniors)
1980: Maradona (Argentinos Juniors)
1981: Zico (Flamengo)
1982: Zico (Flamengo)
1983: Sócrates (Corinthians)
1984: Francescoli (River Plate-ARG)
1985: Romerito (Fluminense)
1986: Alzamendi (River Plate-ARG)
1987: Valderrama (Deportivo Cali-COL)
1988: Rúben Paz (Racing-ARG)
1989: Bebeto (Vasco)
1990: Amarilla (Olimpia-PAR)
1991: Ruggeri (Vélez Sarsfield-ARG)
1992: Raí (São Paulo)
1993: Valderrama (Júnior de Barranquilla-COL)
1994: Cafu (São Paulo)
1995: Francescoli (River Plate-ARG)
1996: Chilavert (Vélez Sarsfield-ARG)
1997: Salas (River Plate-ARG)
1998: Palermo (Boca Juniors-ARG)
1999: Saviola (River Plate-ARG)
2000: Romário (Vasco)
2001: Riquelme (Boca Juniors-ARG)
2002: José Cardozo (Toluca-MEX)
2003: Tévez (Boca Juniors-ARG)
2004: Tévez (Boca Juniors-ARG)
2005: Tévez (Corinthians)
2006: Matías Fernández (Colo-Colo-CHI)
2007: Cabañas (América-MEX)
2008: Verón (Estudiantes-ARG)
2009: Verón (Estudiantes-ARG)
2010: D'Alessandro (Inter)
2011: Neymar (Santos)
2012: Neymar (Santos)
2013: Ronaldinho (Atlético-MG)
2014: Teo Gutiérrez (River Plate-ARG)
2015: Carlos Sánchez (River Plate-ARG)
2016: Borja (Atlético Nacional-COL)
2017: Luan (Grêmio)
2018: Pity Martínez (River Plate-ARG)


