Lançados como balões de ensaio, em um cenário sem favoritos diante da prisão do ex-presidente Lula, três pré-candidatos dos partidos do centrão foram tragados pelo choque de realidade: sem carisma e sem capital eleitoral, restou-lhes abandonar a fantasia de vestir a faixa presidencial. Pularam de suas canoas para o barco do tucano Geraldo Alckmin.
O primeiro a identificar que a candidatura estava fazendo água foi Flávio Rocha (PRB). Nesta quinta-feira (26), por carta, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), formalizou a renúncia a uma candidatura na qual nem seu pai, o experiente César Maia, acreditava. O último a reconhecer que estava sobrando foi Aldo Rebelo, ex-comunista que passou seis meses no PSB e migrou para o Solidariedade. No tempo em que permaneceram como pré-candidatos, nenhum dos três conseguiu ultrapassar a barreira de 1% nas pesquisas.
A carta de Maia foi lida pelo prefeito de Salvador, ACM Neto, no ato em que o DEM e os outros partidos do centrão formalizaram o apoio a Alckmin.
“Arquivo, momentaneamente, a pretensão presidencial que vislumbrei para marcharmos juntos, em 2018, com o projeto que estamos construindo em torno de Geraldo Alckmin”, escreveu Maia, que viajou para os Estados Unidos. Maia volta a seu projeto original: se reeleger deputado federal pelo Rio de Janeiro e conquistar mais dois anos na presidência da Câmara dos Deputados.
Depois da saída dos três nomes do centrão, o foco se volta para o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Lançado pelo MDB, Meirelles não empolga as bases nem os caciques do partido. Os aliados do presidente Michel Temer aderiram em massa à candidatura tucana. O PTB fechou com Alckmin e o PSD deve confirmar o apoio na convenção, expurgando da disputa Guilherme Afif Domingos, que concorreu em 1989 e tem desempenho de nanico nas pesquisas.
A adesão do centrão a Alckmin restringiu as possibilidades de aliança para Álvaro Dias (Podemos) e Ciro Gomes (PDT), que nesta quinta-feira participou da convenção do partido no Estado. Mesmo com bom desempenho nas pesquisas, Marina Silva (Rede) não conseguiu parceiros para reforçar sua candidatura. Hoje, a candidata estará em Porto Alegre para falar de suas propostas em reunião-almoço da Federasul.
Casamento em cartório
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O anúncio da adesão do centrão à candidatura de Alckmin foi um ato formal como um casamento em cartório. As imagens festivas de candidatos de mãos dadas ficarão para as convenções, que cada partido fará a sua e o ex-governador de São Paulo marcará presença para selar a aliança com os delegados.
O grupo flertou com Ciro Gomes e com Jair Bolsonaro (PSL), mas acabou optando pela alternativa mais confortável. Pesou a confiança na estabilidade emocional de Alckmin e na experiência administrativa como governador.
O apelido “picolé de chuchu”, usado em tom pejorativo pelos adversários, é usado pelos aliados com outro sentido, o da previsibilidade que agrada ao mercado na comparação com os arroubos de Bolsonaro e Ciro.
A comemoração da conquista do centrão foi ofuscada por dois revezes. Primeiro, a recusa do empresário Josué Gomes da Silva em concorrer a vice, formalizada ontem. Segundo, a nova fase da Operação Zelotes, que derrubou o coordenador da campanha de João Doria em São Paulo, o economista Roberto Giannetti da Fonseca, conselheiro e amigo de Alckmin.