
Se Pedro Parente havia se transformado em um problema na presidência da Petrobras, substituí-lo será uma dor de cabeça maior ainda. Com o Planalto em clima de curto-circuito, executivos do peso de Parente sequer cogitam da hipótese de ouvir um convite do presidente Michel Temer. Entre o desgaste do governo e o prazo de seis meses para ficar no cargo, a solução mais provável é interna, ou seja, um dos integrantes da atual diretoria.
Os preferidos são, pela ordem, Solange da Silva Guedes, diretora de exploração e produção, e Ivan de Souza Monteiro, diretor financeiro e de relação com investidores. Solange tem mais o perfil de "funcionária de carreira". Está na estatal desde 1985, e atualmente responde pela área que, além de ser o coração da Petrobras, agora se tornou sua prioridade explícita. Monteiro é mais conhecido pelo mercado financeiro, mas veio da "leva" do Banco do Brasil, no pacote que incluiu Aldemir Bendine, que chegou a ser preso no âmbito da Operação Lava-Jato. Há perfeita noção de que Bendine é uma coisa, e Monteiro, outra, mas a possibilidade de a conexão ser usada politicamente é grande.
Mas as reações de executivos que poderiam, ainda que remotamente, estar na linha de sucessão, ilustram a dificuldade de trazer um "gerentão" de fora. Um dos consultados pela coluna comentou, ao receber consulta informal sobre o interesse no cargo: "No governo Temer? É suicídio?" Será preciso ter um ego superdimensionado ou um grande desapego para encarar a missão.
Enqundo prossegue a dúvida, o mercado segue em reação extremada, com a bolsa em queda, dólar e risco Brasil em alta. Mas diz muito sobre Parente o fato de que, assim que foi confirmada a renúncia, duas ações terem entrado em leilão (mecanismo de proteção acionado quando a variação passa muito do habitual: as da Petrobras, por forte queda, e as da BRF, em forte alta. O mercado especula que a presidência executiva da BRF seja o próximo emprego de Parente.






