A CBF realizou nesta segunda-feira, em sua sede, a Assembleia Geral, para definir os rumos do comando da entidade. Haverá, em 30 dias, uma nova eleição na entidade, já que Ednaldo Rodrigues segue como interino, e Rogério Caboclo, afastado por um prazo que excede seu mandato. Os candidatos serão apenas integrantes atuais da diretoria. Porém, ao fechar questão com isso, os clubes deram grande passo em dois sentidos: primeiro, na consolidação da ideia da criação de uma liga, e depois na mudança nos requisitos para candidatura numa eleição futura da CBF.
Começamos pela liga. Depois da Assembleia da CBF, os clubes seguiram reunidos para tratar criação da liga, o que, acreditam todos, é um caminho sem volta. Há um movimento já em andamento comandado por 10 clubes emergentes. Trata-se do Forte Futebol, formado por Juventude, Fortaleza, Ceará, América-MG, Atlético-GO, Athletico-PR, Avaí, Coritiba, Cuiabá e Goiás. Na semana passada, eles ganharam o reforço do Atlético-MG, que se juntou e ficará na linha de frente nas tratativas.
Na reunião desta segunda-feira, o Inter alinhou-se ao grupo, caminho que também será tomado por Fluminense e Botafogo nos próximos dias. Ou seja, o Forte Futebol já abriga 14 dos 20 clubes da Série A. Apenas os paulistas (São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos e Bragantino) e o Flamengo estão fora. Mas não contra, é bom que se diga.
Neste momento, a grande discussão entre os dois blocos passa longe da união de todos, incluindo os 20 clubes da Série B. A formação de um bloco único é consenso. O que os separa é de que forma será conduzida a negociação dos direitos da liga e com quem. O Flamengo e os paulistas já têm propostas de interessados na mão. Acreditam que esse negócio precisa ser fechado com um desses interessados. O Forte Futebol defende que essa venda dos direitos precisa ser melhor estudada. Embora as cifras trazidas sejam assombrosas, ainda não há um parâmetro para saber se são compatíveis com o valor de uma liga com o peso de clubes brasileiros.
Outro ponto de atenção é o longo prazo deste negócio. O canto das sereias de bilhões apresentados agora podem ser uma armadilha em uma venda por 15 ou 20 anos. Em 30 dias, os clubes pretendem já ter algo mais definido. Até porque o tempo corre contra. O contrato atual de TV acaba em 2024. O mercado de direitos de transmissão sempre começa a negociar três anos antes do final do acordo atual. Ou seja, as conversas deveriam ter se iniciado em 2021, para fechamento em 2022. Os clubes sabem que estão um ano atrasados.
CLUBES NEGOCIAM COM CBF, CEDEM E GANHAM EM TROCA REDUÇÃO DA CLÁUSULA DE BARREIRA PARA INSCREVER CANDIDATO
Uma troca importante começará a valer na sucessão do próximo presidente, que sairá entre um dos atuais dirigentes da CBF. Antes, para inscrever uma chapa, era preciso ter assinaturas de oito federações e cinco clubes. A partir do próximo pleito, serão necessárias assinaturas de quatro federações e quatro clubes. Os pesos dos votos, porém, seguem os mesmos, três para cada uma das federações (o que dá 81 votos), dois para clubes da Série A (40) e um para os da Série B (20).
O cálculo segue dando à federações o poder de decidir quem pode ser candidato. Porém, conforme defendeu um dirigente à coluna, buscar o apoio de quatro federações torna possível virar esse jogo. Assim, os clubes teriam seus 60 votos e mais os 12 das federações, chegando a 71, contra um teto de 69 de um candidato alinhado com a CBF. Podemos dizer que a dificuldade ainda é grande para vermos um candidato forjado pelos 40 clubes. Porém, agora, essa dificuldade caiu pela metade.






