
A foto impressiona. Mais de mil policiais civis sentados nas cadeiras do magnífico anfiteatro da Fiergs, em Porto Alegre. Madrugaram nesta terça-feira (19) não para assistir a uma peça ou musical, mas para receber ordens finais antes da maior ofensiva já realizada contra o crime organizado no Rio Grande do Sul.
São 1,3 mil agentes. Já ocorreram ações envolvendo centenas deles, geralmente temáticas: esforço concentrado de todas as delegacias gaúchas para cumprir mandados contra homens que batem em mulheres (Lei Maria da Penha), por exemplo. Ou operações nacionais contra pedofilia, geralmente uma vez por ano.
Contra uma só facção é a maior desde que o crime se organizou a partir das cadeias gaúchas, nos anos 1980. Sei disso porque tenho boa memória e mais de 35 anos de cobertura nessa área.
O alvo desta vez é a maior facção gaúcha, Os Manos. A que está mais espalhada pelo Interior. A que tem mais contatos no Exterior. A que faz associações eventuais para compra de drogas e armas com a maior facção brasileira, o PCC.
Essa facção entrou na mira, mais do que nunca, após se tornar pivô da recente guerra do tráfico em Porto Alegre que já deixou 25 mortos e alguns inocentes baleados. No submundo se fala que esses criminosos cobravam de seus rivais dinheiro referente a uma partilha de drogas apreeendidas. A fatura até já teria sido acertada entre as cúpulas, mas o sangue derramado nas ruas faz com que algumas ramificações das quadrilhas continuem lutando. É agora uma fase de vingança pelos mortos no conflito, não de cobrança de débito.
De olho nesse rebote de violência, as polícias Civil e Militar têm agido. Semana passada atingiram a facção V7, que domina a zona sul de Porto Alegre, com a Vila Cruzeiro como QG. Agora foi a vez dos rivais deles. Uma martelada no cravo, outra na ferradura, como ensina o ditado. Talvez a ação desta terça-feira (com direito a descapitalização de bens e tranca forte nas lideranças) mostre aos criminosos que a sociedade civil organizada, aquela que não usa da violência cotidiana, está disposta a resistir ao avanço da barbárie.






