A vacinação contra a covid-19 começou no domingo (17) e teve pequenos avanços nesta segunda-feira (18), com o início da distribuição de 6 milhões de doses da CoronaVac importadas pelo Instituto Butantan e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para o Rio Grande do Sul, foram destinadas 340 mil doses, que chegaram na noite de segunda-feira (18), dando início à vacinação no Estado. A notícia é positiva, mas o volume é pequeno e a expectativa é pela chegada de novas doses ao país.
Há mais de um caminho para que isso aconteça, mas todos eles têm problemas e incertezas, para além do atraso no envio da matéria-prima necessária para fabricar, no Brasil, a CoronaVac e a vacina de Oxford, o que coloca em risco a campanha de vacinação brasileira. Confira:
Importar vacinas prontas da Oxford-AstraZeneca produzidas na Índia
- Quantas doses: 2 milhões
- Previsão: nos próximos dias, mas prazo permite envio até abril
O uso de 2 milhões de doses emergenciais da vacina da AstraZeneca foi pedido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e autorizado pela Anvisa no domingo. O governo federal fala em “movimentos diplomáticos fortes” para que a Índia libere as doses fabricadas no país, segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. O prazo máximo de liberação, em contrato, é de 90 dias, até abril. Nesta terça-feira (19), o governo indiano anunciou que começará a exportar vacinas na quarta-feira (20), mas não para o Brasil. O primeiro carregamento irá para o Butão. No dia seguinte, outro lote, com a mesma quantidade de doses que o Brasil espera, irá para Bangladesh.
Importar novas doses e produzir vacinas Oxford-AstraZeneca no Brasil
- Quantas doses: 210,4 milhões
- Prazo: entrega das primeiras doses entre 8 e 12 de fevereiro
Por meio da Fiocruz, o governo adquiriu 100,4 milhões de doses prontas da vacina por US$ 250 milhões e deverá ser capaz de produzir outras 110 milhões de doses ao longo do ano na Fiocruz, no Rio de Janeiro. Mas tanto a importação quanto a fabricação têm empecilhos. No caso da produção, uma matéria-prima essencial que já deveria ter sido trazida da China ainda não chegou e ameaça o começo do trabalho. A importação depende de negociações.
Utilizar lote de CoronaVac já disponível
- Quantas doses: 4,8 milhões
- Prazo: assim que autorizado pela Anvisa
Após conseguir a autorização para o uso de 6 milhões de doses importadas da China, com as quais o Brasil deu início à vacinação, o Instituto Butantan busca junto à Anvisa a autorização para o uso de 4,8 milhões de doses da CoronaVac já prontas e disponíveis no país. O pedido foi feito na segunda-feira (18).
Se o primeiro pedido demorou 10 dias para obter a autorização, esse deverá ser mais ágil. Nesta mesma etapa, ainda será possível produzir mais 11 milhões de doses em solo brasileiro, mas um entrave para isso é a demora na chegada de insumos que precisam ser importados da China.
Estoques de CoronaVac em formação
- Quantas doses: 100 milhões
- Prazo: ao longo de 2021
O Ministério da Saúde tem contrato com o Instituto Butantan que prevê a compra de 100 milhões de doses da vacina CoronaVac — o número equivale a todo o estoque do instituto. Até abril, o Butantan deverá fornecer 46 milhões de doses. Outras 54 milhões chegariam até o fim do ano. Novamente, aqui o risco está na disponibilidade de insumos importados, que já foram liberados pela Sinovac, mas estão retidos pelo governo da China.
Importar doses prontas da Pfizer-BioNTech
- Quantas doses: 70 milhões
- Prazo: indefinido
Aprovado e em uso em vários países, o produto da Pfizer faz parte do plano de vacinação do Ministério da Saúde, mas ainda não há pedido de uso emergencial encaminhado à Anvisa. Existe, até agora, um acordo de intenção de compra, mas não há aquisição de fato fechada e reservada para o Brasil. Segundo a pasta, seriam 8,5 milhões de doses até junho de 2021, sendo 2 milhões de doses previstas para o primeiro trimestre, 6,5 milhões no segundo, 32 milhões no terceiro e 29,5 milhões no quarto. No entanto, a relação da Pfizer com o Ministério da Saúde é conflituosa e ainda não permite muito otimismo. Essa vacina tem a característica de exigir refrigeração a -70°C, um complicador logístico no Brasil.
Importar doses prontas da Janssen
- Quantas doses: 38 milhões
- Prazo: indefinido
A vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, também teve as doses contabilizadas no plano de vacinação do Ministério da Saúde. Seriam 3 milhões de doses no segundo trimestre de 2021, 8 milhões no terceiro trimestre de 2021 e 27 milhões no quarto trimestre de 2021. Assim como a Pfizer, apenas há uma intenção de compra, sem reserva de fato de doses. Não há previsão para a vacina chegar ao Brasil.
Importar doses prontas da Sputnik V
- Quantas doses: 10 milhões
- Prazo: indefinido
A Anvisa recusou, no sábado (16), o pedido de uso emergencial da Sputnik V. Por falta de requisitos mínimos de análise, o pedido foi protocolado pelo laboratório União Química. O laboratório prometeu entregar todas as informações necessárias em uma semana, mas não é possível estimar prazos. A União Química espera receber da Rússia 600 mil doses em janeiro, 3,4 milhões em fevereiro e 6 milhões em março.
Importar vacinas prontas do consórcio Covax Facility
- Quantas doses: 42,5 milhões
- Prazo: indefinido
No plano de vacinação do governo federal, 42,5 milhões de doses viriam por meio do Covax Facility, consórcio coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para adquirir as vacinas de diferentes laboratórios e distribuir de forma justa a 190 países em desenvolvimento. Para aderir ao consórcio, o Brasil investiu R$ 2,5 bilhões. Era possível pedir injeções para imunizar até 20% da população, mas o governo federal optou por requerer o suficiente para 10%. O consórcio já fechou acordos por 2 bilhões de doses. O plano é distribuí-las até o final de 2021, com prioridade aos países mais pobres, o que não coloca o Brasil no começo da fila.
Importar vacinas prontas da Bharat Biotech e da Moderna
- Quantas doses: indefinido
- Prazo: indefinido
O Ministério da Saúde informa que solicitou informações de preços, estimativa e cronograma de disponibilização de doses e dados dos estudos nas fases 1, 2 e 3.





