No dia marcado pela reabertura do comércio, a ocupação das unidades de terapia intensiva (UTIs) por doentes de covid-19 se manteve estável em Porto Alegre. Havia, às 17h30min desta sexta-feira (7), 323 pacientes internados em leitos de UTI da cidade.
O número sucede dois dias seguidos de recorde nas hospitalizações por coronavírus na Capital – na quinta-feira (6), eram 331, e, na quarta-feira (5), 324. Pela média dos últimos sete dias, a quantidade de internados aumentou 4,2% nesta semana, em relação à anterior.
Embora em alta, o percentual indica uma tendência de desaceleração na demanda por UTIs no município. Na última sexta-feira de julho (31), o acréscimo havia sido de 9,6% na comparação com os sete dias precedentes.
O panorama, entretanto, ainda é de alerta. A capacidade das unidades de três dos 17 hospitais das redes pública e privada de Porto Alegre seguia esgotada nesta sexta-feira – Moinhos de Vento, Cristo Redentor e Restinga. Já a taxa de ocupação geral nas UTIs da cidade estava em 89%.
Segundo o mais recente boletim da prefeitura da Capital, ainda há leitos de terapia intensiva disponíveis nas instituições que são referência no atendimento a pacientes de covid-19. Clínicas, Santa Casa e Conceição, que somam 380 vagas, tinham índices de lotação entre 82% e 95%.
O Conceição tinha, nesta sexta-feira, 36 doentes de coronavírus internados na UTI. O diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Francisco Paz, afirma que, nas últimas semanas, constatou-se uma queda na demanda de tratamento de covid-19 na tenda de atendimento e na emergência da instituição.
— O nível de ocupação da UTI tem se mantido e deverá permanecer assim por mais alguns dias porque os pacientes estão ficando até um mês internados. O fato novo é a diminuição da demanda de entrada de doentes. É uma tendência bem clara — avalia Paz.
Pelo histórico de epidemias, o diretor aposta que o ritmo de procura por UTIs seguirá em declínio mesmo após o retorno de atividades econômicas e o consequente aumento da circulação de pessoas pela cidade. Já o epidemiologista Pedro Hallal, coordenador da pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que mapeia a incidência de coronavírus na população, mostra-se menos otimista:
— Essa estabilidade não pode ser comemorada porque aconteceu em um patamar muito elevado. Se queremos que os números baixem, a única solução é o distanciamento entre as pessoas infectadas e as suscetíveis para diminuir o contágio. Estamos cansados de dizer o que a ciência recomenda, porque vemos cada vez mais as pessoas ignorando o que a ciência diz.



