O agora ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Marco Edson Gonçalves Dias pediu demissão do cargo depois da divulgação de imagens em que ele aparece circulando pelo Palácio do Planalto entre os invasores durante os ataques do dia 8 de janeiro aos três Poderes. Sua passagem pela pasta foi a mais rápida entre ministros dos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com pouco mais de cem dias à frente do GSI, Gonçalves Dias superou Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia no segundo mandato de Lula, que deixou o cargo em maio de 2007, depois de aproximadamente 140 dias no cargo.
Na ocasião, Rondeau também pediu demissão por insustentabilidade no ministério. Ele foi um dos investigados da Operação Navalha, da Polícia Federal, que revelou um suposto esquema de pagamento de propinas no governo e favorecimento de empresas para realização de obras públicas. Seu assessor especial de gabinete, Ivo Almeida Costa, chegou a ser preso.
Fora do escopo de governos lulistas, três ministros caíram mais rapidamente do que Dias. São eles:
- Romero Jucá (Planejamento, governo Temer, em maio de 2016) – 11 dias
- Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral, governo Bolsonaro, em fevereiro de 2019) – 49 dias
- Cid Gomes (Educação, segundo mandato de Dilma, em março de 2015) – 78 dias
Dias viu seu cargo ficar insustentável a partir da divulgação de imagens em que ele aparece no Palácio do Planalto durante as manifestações golpistas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula sabia, desde aquele domingo, que o então ministro do GSI, seu homem de confiança, estava no prédio invadido. Os dois conversaram em várias ocasiões em meio ao ataque, porém, o petista disse não entender a razão pela qual o gabinete de segurança não se preparou para impedir a entrada dos vândalos no local.
O presidente teria pedido ao general, nos dias seguintes, as imagens das câmeras de segurança do Planalto, em especial as do terceiro e do quarto pisos. As cenas em que Gonçalves Dias agora aparece estavam em uma câmera que o general teria dito a Lula que foi danificada.
Dias, disse em entrevista ao canal GloboNews, que estava no Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro para retirar os invasores golpistas de lá, e que sua imagem ao lado de manifestantes foi tirada de contexto. Gonçalves Dias se reuniu com o presidente Lula mais cedo. Ele disse que entregou o cargo para facilitar as investigações.