Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro desafiaram a pandemia de coronavírus e, à revelia do pedido de autoridades de saúde para evitar aglomerações, lotaram trecho da Avenida Goethe, em Porto Alegre, na tarde deste domingo (15). Além do habitual uniforme verde e amarelo, parte dos manifestantes usou máscaras.
Nos cartazes dos simpatizantes, a pauta era difusa. Pediram o fim da imunidade parlamentar e do fundo eleitoral e o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), além da prisão dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AM). Também demonstraram apoio a Bolsonaro e ao ministro da Justiça, Sergio Moro.
– Parabéns a todos que estiveram aqui e enfrentaram a resistência. A narrativa da imprensa vai dizer que fomos irresponsáveis, se houver um caso de coronavírus, mas vocês sabem que não. Não vamos desistir do Brasil – discursou, de cima do carro de som, Paula Cassol, uma das articuladoras do ato. – Lavem as mãos, usem álcool gel e evitem contato e porquices. Mas sabemos que o pessoal que vem aqui é bem limpinho – acrescentou.
Por duas horas, o movimento interrompeu o trânsito na Goethe, entre as ruas 24 de Outubro e Mostardeiro. Dezenas de carros passaram buzinando, em sinal de respaldo aos bolsonaristas. Parte deles usou uma máscara de papel imitando um robô, distribuída no início do ato. Era uma resposta às denúncias de que o apoio ao presidente nas redes sociais se dá pelo uso de bots.
De olho no movimento, ambulantes venderam camisetas com a imagem de Bolsonaro (R$ 30) e bandeiras do Brasil (R$ 80). Também houve comércio de chope artesanal e de batidas alcoólicas conhecidas como "capeta". O protesto foi embalado pelas marchinhas do grupo de direita Banda Loka Liberal, a maioria com críticas ao PT, e pelo hino do Rio Grande do Sul. Uma mega-bandeira verde-amarela com o nome do presidente foi estendida na avenida.
Embora Bolsonaro tenha desaconselhado a ida às manifestações por causa do avanço do coronavírus em pronunciamento na quinta-feira (12), apoiadores decidiram manter a mobilização em dezenas de cidades do país, incluindo Porto Alegre. Estimulado pelos atos que havia convocado, o próprio presidente participou de um deles, em Brasília, estendendo a mão para simpatizantes.
– Aqui, não tem coronavírus! – repetia um dos simpatizantes na Capital.
Entre os representantes do movimento no Rio Grande do Sul, o deputado estadual Ruy Irigaray (PSL) defendeu a suspensão do protesto após o pronunciamento de Bolsonaro. Neste domingo, contudo, subiu no carro de som estacionado ao lado do Parque Moinhos de Vento. Disse que os apoiadores estão mobilizados e que, apesar da pandemia, decidiram manter o ato.
– É complicado. Não sei o que é pior: vir apesar do coronavírus ou deixar de vir e ser acusado de omissão – disse Irigaray.
Pelas redes sociais, outro deputado estadual também endossou o protesto. Luciano Zucco (PSL) publicou foto e vídeo acompanhados da legenda "pátria, dever e honra". Bolsonaro compartilhou duas imagens do ato na Capital em seu perfil oficial.
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