
O advogado de defesa mantém a orientação para que o casal indiciado por um duplo homicídio no bairro Cristo Redentor, em Caxias do Sul, mantenha silêncio sobre o caso. Na quinta-feira, o empresário Ademir Anesi Júnior, 25 anos, e a companheira dele, Maitê Guerra Sangalli, 24, foram indiciados pelas mortes de Paulo Ricardo Cieslik, 29, e Willian dos Santos Francischelli, 25, na manhã de 12 de janeiro. O crime foi qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
De acordo com o advogado Airton Barbosa de Almeida, a prisão foi abrupta e a estratégia é aguardar pelo momento mais oportuno para se manifestar. O defensor espera os procedimentos de praxe para ter acesso às conclusões do delegado a partir de segunda-feira.
— Foi uma sugestão minha porque, num processo desse, surgem muitos boatos. Com relação ao mérito do que aconteceu, me reservo a declarar no processo. (No momento oportuno), todos dirão o que sabem e não sabem. Tudo será esclarecido nos autos (do processo) — aponta o advogado.
Indícios apontam caçada do casal ao ladrão
Conforme apurado pela Delegacia de Homicídios, a execução foi motivada por um suposto arrombamento na casa da mãe de Ademir Júnior. Imagens do monitoramento de um mercado próximo à residência mostram quando Francischelli invade o local. Como o casal indiciado e os pais do empresário optaram por permanecer em silêncio, a investigação não sabe o que aconteceu dentro da moradia.
— Este é o ponto obscuro. Supõe-se que foi um furto, que ele (Willian dos Santos Francischelli) entrou e saiu levando alguns pertences. Não sabemos se houve violência, se (o autor do furto) estava armado e quem estava na casa (no momento da invasão) — aponta o delegado Rodrigo Kegler Duarte.
A partir do amanhecer, surgem um o conjunto de índicios contra o casal. Por volta das 8h, Júnior procurou o proprietário do mercado e olhou as mesmas imagens que a Polícia Civil teve acesso. O empresário filmou a gravação com seu celular, para buscar a identificação do ladrão e, assim, iniciou a caçada de vingança.
Conforme testemunhas, Júnior e Maitê circularam pelo bairro perguntando onde ficava o ponto de tráfico. Eles foram reconhecidos por um morador de rua, que relatou ter sido ameaçado. O veículo utilizado foi o Audi A5 branco do empresário, aprendido pela Polícia Civil no dia da prisão temporária.
Por volta das 8h14min, o celular de Maitê enviou uma mensagem para o telefone da sogra, que foi levado no suposto furto, apontando que haviam câmeras no mercado e ameaçando o ladrão. A execução teria ocorrido minutos depois.

Francischelli foi encontrado em um beco próximo da Rua Padre Antônio Vieira, local que é conhecido da vizinhança pelo consumo de entorpecentes. Ele estava acompanhado de Cieslik. Ambos utilizavam cachimbos de crack.
— A necropsia deixa bem claro que o tiro (em Francischelli) foi de cima para baixo, o que reforça minha visão de local (do crime) que eles (vítimas) foram colocados de joelhos e depois executados. O modo de execução foi maldoso. O outro (Cielisk) foi morto sem motivo — afirma o delegado Duarte.
Uma arma apreendida e outra não encontrada
No dia do cumprimento das prisões temporárias do casal investigado, a Delegacia de Homicídios apreendeu um revólver calibre .22. Esta arma é do pai de Júnior e estava com o registro vencido, por isso o idoso responderá por posse ilegal.
Este revólver foi enviado para comparação balística pelo Instituto Geral de Perícias (IGP), no entanto, após verificar os ferimentos causados pelos tiros, o delegado Duarte acredita que esta não é a arma utilizada na execução Os investigadores acreditam que Júnior utilizou uma pistola calibre .380, registrada em nome do empresário junto ao Exército Brasileiro. Esta arma não foi localizada durante a investigação.
Na conclusão do inquérito, a Delegacia de Homicídios representou pela prisão preventiva de ambos os indiciados, o que está em análise pelo Poder Judiciário. A prisão temporária do casal é válida até 1º de março e eles seguem recolhidos no sistema penitenciário.



