
Há cinco anos, a revisora de qualidade Daniela Anacleto da Silva, 35 anos, assumiu um financiamento para construir sua casa. Conseguiu, com o resgate de todos os recursos do FGTS que adquiriu nos nove anos em que trabalhou na fábrica de calçados Di Cristalli, em São Francisco de Paula.
Agora, a preocupação é como conseguir pagar as prestações por outros 25 anos e manter a estrutura da casa. Mãe de dois filhos pequenos, assim como Márcia, Daniela sabe que o dinheiro dos direitos trabalhistas vai acabar. E não enxerga boas perspectivas para voltar ao mercado de trabalho.
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"A conta vai chegar" diz moradora de São Chico
Com experiência na área calçadista, a esperança é de que uma nova empresa do setor chegue à cidade. Mas ela sabe que, desta vez, o cenário está muito mais difícil.
— Trabalhei por 11 anos na Ortopé. Quando fechou, se seguida apareceu outra em seu lugar. Foi fácil retornar ao mercado. Agora é diferente. Não sei o que vai acontecer.
Daniela está disposta a atuar em qualquer área.
— Só quero voltar a trabalhar. Estou sem rumo. A dor de estômago ainda não passou.
"Não sei onde procurar emprego"

Nercy Melos de Jesus, 49 anos, trabalhou na fábrica por nove anos. Assim como os colegas, ele não acreditou nos rumores de que a empresa poderia realmente fechar as portas.
— Foi um baque muito grande. Na sexta-feira, o ambiente na fábrica era de velório. Todos choravam — conta.
Ele vivenciou a mesma experiência em 2008, quando outra fábrica de calçados fechou na cidade, a Ortopé. Mas o cenário econômico era outro. Um mês depois já conseguiu trabalho na nova empresa do setor.
— O que eu sei fazer é trabalhar na área calçadista. Sei que o dinheiro vai acabar até o final do ano. E não sei onde procurar emprego. Também não quero sair daqui.
Reflexos no comércio e serviços
Os setores do comércio e serviços já estão sentindo o reflexo do fechamento da fábrica. Proprietária de um restaurante no centro de São Chico, Angelita Martini diz que pelo menos 10 trabalhadores por dia aparecem por lá pedindo emprego. E o movimento já caiu cerca de 20%. Segundo ela, o clima na cidade é de desespero.
— Não temos para onde correr.
Rosane Bertuol, gerente de vendas de uma das mais tradicionais lojas do local, adianta que a conta vai chegar no final do ano, quando acabar o dinheiro das rescisões e do seguro desemprego.
— Já vivenciamos este cenário quando outras empresas do setor fecharam as portas. As vendas de final de ano devem ser afetadas, mas estamos contando com as iniciativas da prefeitura.
PROGRAMA DE INCENTIVOS
Criado em 2017, o Programa de Incentivos ao Desenvolvimento Econômico (Pide) de São Chico oferece os seguintes benefícios:
* Doação de imóveis
* Isenção e/ou redução de tributos municipais
* Execução de infraestrutura
* Cedência de prédios públicos
* Subvenções econômicas sobre o incremento de valor adicionado
* Subvenção de imóveis para locação
* Agilidade na liberação de licenças e alvarás por meio da Sala do Investidor.