O caos registrado nesta segunda-feira (1º) no Hospital de Alvorada, com a troca dos gestores responsáveis pela administração, precisa ser usado como lição para que não se repita em Cachoeirinha e Viamão. Essas três cidades têm em comum o fato de os hospitais estarem em processo de transferência da gestão da Fundação Universitária de Cardiologia (FUC), que se mostrou incapaz de manter os serviços. Em recuperação judicial, a FUC avisa que não tem como pagar sequer as verbas rescisórias, direito inquestionável dos trabalhadores.
A Secretaria Estadual da Saúde sustenta que fez a transição de forma adequada, mas o que se viu em Alvorada foi uma guerra de versões, na qual o prejudicado lá na ponta é o paciente que depende do SUS. Em Viamão e Cachoeirinha, onde a troca de gestor ocorrerá nos próximos dias, os servidores estão em "estado de greve", o que por si provoca insegurança nos pacientes e acaba desaguando no sistema de saúde da Capital, que corre o risco de colapso.
Além de trocar os gestores que não entregam o serviço para o qual foram contratados, a secretária Arita Bergmann precisa dar transparência aos números. Porque o cidadão que precisa do SUS não tem como saber se o problema é de falta de recursos, de incompetência na gestão ou de coisas mais graves. Na saúde, como em qualquer área da gestão pública, a luz do sol é o melhor desinfetante (ou o melhor antídoto para a guerra de versões).
O programa Assistir, por exemplo, é um enigma para o usuário e isso abre caminho para a guerra de versões. Falta clareza na comunicação sobre o funcionamento, embora genericamente o critério pareça correto: em vez de repassar recursos sem olhar para a produção, pagar pelos serviços oferecidos.
Batalha judicial no caso do IPE Saúde
Causou surpresa à direção do IPE Saúde e à promotora Roberta Brenner de Moraes a liminar da juíza Marilei Lacerda Menna, da 7ª Vara da Fazenda Pública, suspendendo as novas tabelas de remuneração para 13 hospitais de referência, que entrariam em vigor nesta segunda-feira (1º).
A Procuradoria-Geral do Estado está trabalhando no recurso para derrubar a liminar, alegando que a magistrada não levou em consideração os estudos técnicos do IPE Saúde, que embasam as novas tabelas.
A promotora Roberta também vai pedir a reconsideração da liminar, por conhecer os estudos e estar convencida de que é ilegal o modelo atual de sobrepreço dos medicamentos.



